CONSIDERAÇÕES SOBRE A VALORIZAÇãO DOS PROJETOS NAS PRÁTICAS DE MERCADO EQUIPE

Eduardo Arantes, M Sc, Maria Da Penha, Campos Vieira, Paulo Roberto, Pereira Andery, Sérgio Myssior, -Arquiteto, Sócio Diretor Da, Lume Ambiental, Myssior Gestão De Projetos
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RESUMO O processo de projeto tem merecido uma atenção crescente no meio acadêmico e em alguns setores do mercado. Em torno dessa discussão encontra-se a questão da valorização dos projetos, em seus vários aspectos: formas de contratação, remuneração, definição dos escopos de projeto, a concorrência entre as empresas de projeto, etc. Com base em discussões e entrevistas realizadas pelos autores junto a empresas construtoras e de projeto, e considerando as discussões levantadas por ocasião dos
more » ... por ocasião dos Workshops Nacionais e Mineiro de Gestão do Processo de Projeto, apresentam-se reflexões sobre ações para valorização da atividade projetual nas práticas de mercado: a melhoria das práticas gerenciais nas empresas de projeto, a criação de mecanismos para diferenciação dos projetos, o fornecimento de produtos mais completos e a formação acadêmica dos futuros profissionais de engenharia e arquitetura. O presente artigo foi originalmente publicado nos anais do V Workshop Brasileiro de Gestão do Processo de Projeto na Construção de Edifícios. Palavras-chave: Valorização dos projetos, contratação e gestão de projetos. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A ausência de mecanismos de mercado que garantam uma melhor integração entre os projetos e aetapa de execução das obras continua sendo uma característica marcante da construção civil brasileira, o que não ocorre em alguns outros países. Não obstante uma série de modelos desenvolvidos nos meios acadêmicos e implementados em empresas de projeto de excelência no mercado, ainda que em menor escala, continua valendo, para significativo número de empresas e empreendimentos, o paradigma descrito por MELHADO e VIOLANI (1992), há quase quinze anos: verifica se uma dissociação entre a atividade de projeto e a construção, sendo o projeto muitas vezes entendido como simples instrumento isolado, assumindo um conteúdo basicamente legal, indicativo do que deverá ser o empreendimento. Projetos continuam sendo elaborados de maneira seqüencial, apresentando ausência de informações essenciais e interferências com outros projetos, transferindo para as obras grande parte das decisões estratégicas e técnicas dos empreendimentos. No cerne dessa questão está o tema da valorização dos projetos, valorização essa entendida em sentido amplo: introdução de mecanismos que permitam a integração entre projeto e produção, a valorização dos profissionais, a remuneração pelos projetos, a sua forma de contratação, a consecução de parcerias efetivas entre empresas de projeto e incorporadoras / construtoras, dentre outros aspectos. Essa falta de valorização da atividade projetual tem parte de suas raízes em problemas culturais, por sua vez ligados à formação e requalificação dos profissionais do setor. Como ressaltaram os autores em outro trabalho (VIEIRA LANA E ANDERY, 2001), em parte essa diferença entre as práticas de mercado e as propostas de integração entre projeto e produção decorre do pequeno alcance que essas propostas têm entre os profissionais envolvidos na execução dos empreendimentos, sejam eles projetistas, fornecedores de materiais e/ou serviços e empreiteiros. Agrava isso o fato de que a contratação dos projetos dá-se de maneira muito variada, por agentes distintos: incorporadores, construtores, outros projetistas que terceirizam parte de seus trabalhos, agentes autônomos no mercado, o próprio usuário das edificações, etc. Muitos desses agentes não têm o conhecimento da importância da integração entre projeto e produção, e pela heterogeneidade desses contratantes, a disseminação de novas práticas torna-se uma atividade complexa e multifacetada. Do ponto de vista dos principais contratantes dos projetos, que são as contrutoras / incorporadoras, algumas observações Construindo, Belo Horizonte, v.2, n.1
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