Ecos do IV Congresso de História Nacional. A expedição de 1501-1502 e Amerigo Vespucci. Réplica ao Prof. Damião Peres

Thomaz Oscar Marcondes de Souza
1950 Revista de História  
A EXPEDIÇÃO DE 1501-1502 E AMERIGO VESPUCCI Réplica ao Prof. Damião Peres 1) -"The Nationalisfic School". Os historiadores portuguêses que, sistemàticamente disputam para a sua pátria tôdas as prioridades, tratando-se de descobrimentos marítimos nos 4éculos XV e XVI, irônicamente são apontados pelos intelectuais yankees como "fellows of the Nationalistic School". Inventaram tais historiadores um processo "sui generis" para o estudo da história, somente por êles adotado em todo o mundo. Atribuem
more » ... o o mundo. Atribuem a esta ou àquela personagem lusa a realização de um feito de vulto, mas quando se lhes pedem os documentos comprobatórios do alegado, a resposta vem súbita e invariàvelmente afinada por êste diapasão: "A impenetrável política de sigilo dos monárcas portuguêses, principalmente de D. João II e de D. Manuel, em se tratando de empreendimentos marítimos, privou os arquivos portuguêses de abundante e preciosa documentação, razão pela qual não é possível provar a prioridade portuguêsa num número elevado de descobrimentos". Com tal método, êsses historiadores sustentam, sem rebuço, que foram nautas lusitanos que descobriram a América antes de Colombo; que antecederam a Vespucci, aos espanhóis e ao próprio Cabral no achamento do Brasil; que devassaram secretamente todos os mares em tôdas as direções. E concluem bombàsticamente com aquêle verso de Camões: "E se mais mundo houvera la chegara". Um dos pontífices da "Nationalistc School" é o professor Damião Peres, da Universidade de Coimbra, que nos faz lembrar os (2) -A. Fontoura da Costa. -"Cartas das libas de Cabo Verde do Valentim Fernandes", Lisboa, 1939 ,páginas 91 a 96. <1.8) -"0 mais antigo mapa do Brasil", na "História. da Colonização Portuguêsa do Brasil", volume 1, páginas 269 a 280.
doi:10.11606/issn.2316-9141.v1i3p391-410 fatcat:mfifx6lfmbbudjgrww2bccbbj4