Tratamento das deformidades órbito-palpebrais das cavidades anoftálmicas: 20 anos de experiência

Eduardo Jorge Carneiro Soares
1990 Arquivos Brasileiros de Oftalmologia  
126 RESUMO o autor relata sua experiência a respeito da preven ção dos defeitos inestéticos e deformidades observadas nas cavidades anoftálmicas. Levando em consideração o que é considerado um resultado qua se perfeito (cavidade com um olho inestético coberto por uma lente escleral pintada) , as eviscerações e enucleações são realizadas subs tituindo o volume orbitário perdido com um implante primário, a fim de obter os mesmos resultados. Observados durante um longo foUow-up, os pacientes não
more » ... os pacientes não apre sentaram nenhuma das deformidades relacionadas, especialmente a retração da cavidade. O autor usa o implante esférico coberto pela esclera preservada, completamente sepultado na cápsula de Tenon e fixado aos 4 mús culos retos. Estes implantes fo rnecem uma substituição de volume adequada, principalmente quando a tónica escleral inclui a córnea. A preservação da córnea -quando possível -é provavelmente uma contribuição original. Uma grande satisfação é obtida por causa dos resultados cosméticos excelentes, conseguidos às custas da recons trução das relações normais que devem existir entre as diversas es truturas orbitárias e sobretudo da manutenção das suas funções. Os resultados estudados e observados durante estes 20 anos têm provado que esta técnica preenche seus propósitos em mais de 93% dos casos. Palavras-Chaves: Implante Escleral, Evisceração, Enucleação, Cavidade anoftálmica. INTRODUÇÃO A Importância deste assunto resi de na elevada freqüência de pacien tes com deformidades órbito-palpe brais causadas pela perda do globo ocular. No período 1968-1988, em nosso Serviço de Plástica Ocular* examinamos um total de 7.941 pa cientes, sendo verificado que 894 casos (11,25%) apresentavam pro blemas consequentes às cavidades anoftálmicas. O alcance médico-so-cial desta materia é muito grande não só por causa de sua elevada in cidência, mas também por causa do trauma psicológico sofrido pelos pa cientes desde a perda da visão, o qual é agravado pela remoção do olho e mantido pelo resto da vida por estas deformidades que lhes des figuram e repugnam. São indivíduos inibidos no ambiente familiar. evitam a vida social e em geral são margi nalizados no trabalho. Pior ainda pa ra as crianças que adquirem estes
doi:10.5935/0004-2749.19900031 fatcat:4r6r36j56ngtndkbeol5draeci