Religiosidade: 43 anos de história de um exercício de pesquisa

Geraldina Porto Witter
2007 Psicologia Escolar e Educacional  
Apresentação Como o objetivo do trabalho é apresentar e comentar um exercício de pesquisa, que é aqui transcrito, para evitar confundir o leitor denominou-se esta parte de apresentação. Para contextualizar o documento é preciso retomar um pouco a sua história. Como hoje, os conceitos de religiosidade e espiritualidade não tinham entre os pesquisadores um consenso (Buskits e Davis, 2006) . Hoje, mais freqüentemente define-se religiosidade como a importância atribuída e a freqüência de (a)
more » ... ência de (a) crenças religiosas, (b) práticas religiosas, (c) aplicações das crenças e (d) participação nos serviços e atividades de grupo da religião. (Leonard, 2006) . Arrumando as coisas da Autora sua secretária particular encontrou o manuscrito do exercício de pesquisa com o título -Desenvolvimento de Alguns Conceitos Religiosos na Adolescência, O texto foi produzido para a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento, ministrada pelo Dr. Romeu de Moraes Almeida, no Curso de Especialização em Psicologia Educacional, ministrado na Cadeira de Psicologia Educacional, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, sob a coordenação de seu titular Prof. Doutor Arrigo Leonardo Angelini. O ano era 1964. Como parte das atividades acadêmicas da disciplina cada aluno ou dupla de pesquisa deveria fazer um trabalho de pesquisa, sobre qualquer aspecto do desenvolvimento, tendo por sujeitos, pessoas de qualquer idade. Por morar fora de São Paulo e pela dificuldade de encontrar os colegas fora de horário de aula a opção foi por trabalhar só na atividade. Isto deu liberdade maior na tomada de decisão quanto ao tema, sujeitos, método, mas também não foi possível contar com um grupo para discussão e partilhar as responsabilidades, o que certamente é uma estratégia efetiva na produção de texto (Staats, 1983 , Wepner & Grambell, 2006. Como hoje, na maioria das situa-ções não havia também a preocupação em se orientar e criar o hábito de trabalho articulado em grupo. Pouquíssimas pessoas davam continuidade aos estudos de graduação mesmo em termos de cursos de especialização. As turmas em cada disciplina raramente passavam de 10 alunos. A turma de desenvolvimento era "grande", de uns 12 a 14 alunos. Não havia quase textos em português, periódicos nacionais eram pouquíssimos, os livros na maioria eram traduções. Havia em cada cadeira uma pequena biblioteca, sem bibliotecário no caso da Psicologia Educacional, sendo cuidada e gerenciada pelos próprios professores, que se revezavam nos poucos horários em que ela ficava aberta aos alunos. Mas já então se podia contar com um acervo de periódicos estrangeiros. Só após a reforma universitária, com a criação do Instituto de Psicologia, foram reunidos os acervos das bibliotecas das Cadeiras de Psicologia para formar a hoje denominada Biblioteca Dante Moreira Leite do Instituto de Psicologia da USP. Na ocasião da realização do trabalho só se podia consultar o acervo na própria biblioteca e, vale lembrar aos mais jovens, não havia como fazer cópias das matérias de maior interesse. Era ler e resumir o texto em fichas, cadernos etc (não existia cópia xerográfica). Quando não se dispunha do periódico a única forma de obter o texto era escrever para o autor (outra dificuldade hoje superada) e pedir uma separata. Quando se encontrava alguém disposto a colaborar, eram meses de espera para o material chegar via correio. Americanos e canadenses eram mais cooperativos que os europeus. Mas o tempo era muito para se esperar, mas era só o que se podia fazer. O intercâmbio entre as bibliotecas era precário mesmo quando existia e se dava graças por isto. Quando se dispunha de poucos meses para realizar a tarefa era difícil a empreitada. A opção pelo tema decorreu de muito se falar já na época da chamada crise de religiosidade na adolescência, embora não se visse concomitantemente uma
doi:10.1590/s1413-85572007000100017 fatcat:3jckia4nurbxhgba5pjrlhclae