A ESCRITA DESARRUMADA DE MIA COUTO: DIÁLOGOS COM A OBRA ROSIANA

Avani Souza Silva
2010 Revista Crioula  
RESUMO: Em sua poética, Mia Couto promove uma ruptura na língua, na sua feição europeia, aproximando-a da oralidade de seu país. Guimarães Rosa opera virtualidades na língua, dinamizando-a para alcançar a máxima expressividade, consoante seu projeto estético-literário. Pontos de convergência dessas fraturas na língua, como diria Mia Couto, são enfocados neste texto. ABSTRACT: In his poetics, Mia Couto promotes a rupture in language, in its European feature, approaching it to orality of his
more » ... orality of his country. Guimarães Rosa produces virtualities in language, boosting it to reach the maximum expressiveness, consonant with his aesthetic literary project. Points of convergence of these disruptions in the language, according to Mia Couto, are focused on this text. Há, entre os textos de Mia Couto e de Guimarães Rosa, muitos diálogos, seja na estrutura, nos temas, no espaço, nas personagens, nas vozes, mas principalmente, e é o que nos interessa neste momento, na maneira com que os escritores trazem a oralidade para dentro do discurso literário. O escritor moçambicano discorre sobre a gênese de sua obra em diversas entrevistas. Selecionamos aquela concedida a Rita Chaves e Omar Ribeiro Thomaz 2 , na qual o escritor aborda a reconstrução linguística de seus textos, ou como diz, de sua escrita desarrumada, expressão que dá título à entrevista. Sobre a forte presença da oralidade em sua obra, primeiramente ele declara que a oralidade o invade e
doi:10.11606/issn.1981-7169.crioula.2010.55238 fatcat:2gftqvnqqjf4jmbwypg372fkba