Aspectos da gravidez e pós-parto de adolescentes portadoras de febre reumática

Ana Julia Pantoja Moraes, Pollyana Maria Ferreira Soares, Marta Miranda Leal, Adriana Maluf Elias Sallum, Ana Paola Navarrete Lotito, Clovis Artur Almeida Silva
2004 Revista da Associação Médica Brasileira  
Rev Assoc Med Bras 2004; 50(3): 293-6 293 GRAVIDEZ E PÓS-PARTO NA FEBRE REUMÁTICA RESUMO -OBJETIVO. Avaliar a incidência e evolução de gravidez entre adolescentes portadoras de febre reumática (FR) do nosso serviço. MÉTODOS. Avaliação retrospectiva de 510 prontuários de pacientes com diagnóstico de FR, no período de 1983 a 2001. RESULTADOS. Dos 510 pacientes analisados, 123 (46%) eram adolescentes femininas. Dezesseis (13%) engravidaram neste período, com um total de 19 gestações (uma
more » ... ções (uma apresentou duas gestações e outra três); 14 realizaram pré-natal adequadamente. A idade da primeira gestação variou de 14 a 19 anos (média 16,7); e a idade do início da atividade sexual, de 13 a 18 anos (média 15,2). Insuficiência mitral ocorreu em 15 casos, estando associada com insuficiência aórtica em cinco. Intercorrências durante o pré-natal foram observadas em duas pacientes: em uma houve recidiva da FR com Coréia e em outra infecção pelo HIV. O parto vaginal ocorreu em sete *Correspondência: Unidade de Reumatologia Pediátrica do ICr-HC-FMUSP Rua Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 647 CEP -05403-900 -São Paulo -SP -Brasil Tel.: (11) 3069-8675/8510 clovisaas@icr.hcnet.usp.br adolescentes, parto fórcipe em três e cesareana em quatro: uma com HIV, uma com gestação gemelar e duas com distocia funcional. Treze recém-nascidos foram adequados para idade gestacional e apenas os gêmeos foram prematuros. No pós-parto, uma paciente apresentou infecção na incisão cirúrgica e outra abscesso mamário. Nenhuma paciente reativou a FR no parto e pós-parto. CONCLUSÕES. As gestações não apresentaram descompensação cardíaca, com predomínio de valvulites de leve intensidade. Atividade sexual precoce e aumento da gravidez em adolescentes são realidades nos ambulatórios de reumatologia pediátrica, justificando a necessidade de uma melhor orientação em relação à sexualidade e uso de métodos anticoncepcionais na rotina do atendimento.
doi:10.1590/s0104-42302004000300037 pmid:15499482 fatcat:brkxdy44krb65nt3emzclt5qom