O C. Ruy Barbosa

João Arruda
1925 Revista da Faculdade de Direito de São Paulo  
Em 1919, conversando eu com um admirador do C.° Ruy Barbosa, suggeriu^me elle escrever algumas paginas, defendendo o genial brasileiro de algumas accusações tão injustas, quão generalizadas. Era o artigo destinado a um diário. Nem sempre porém pode o autor dar á producção o tamanho que deseja. Sahiu o trabalho grande demais para um jornal. Não se me deparou revista a que interessasse o assumpto. Eis por que motivo só hoje estampo o meu artigo na Revista da Faculdade. Entendi não dever mudar nem
more » ... não dever mudar nem mesmo uma vírgula no original: está o meu trabalho como o concebi naquelle tempo. Estas observações pareceram-me necessárias para boa intélligencia do que se acha em certos pontos do artigo. O C. RUY BARBOSA Ao tempo em que o sr. C.° Ruy Barbosa era candidato á presidência da Republica, com freqüência ouvi eu ter elle dois defeitos capitães: muito illustrado, e portanto impróprio para administrar, e espirito unicamente critico e destruidor, e consequentemente incapaz de crear. Ha phrases feitas, que os corypheos ministram aos sequazes, afim de que fiquem estes dispensados de discutir: o governo é optimo, e o mau é o povo -o povo tem o governo que merece -demais temos liberdade, necessário é que haja autoridade de pulso de ferro -o jury é a causa de todos os nossos males -mau cidadão é quem fala que^ o governo erradamente interpreta a arca santa da Constituição brasileira Assim alcançam os que governam a obediência sem exame, alma mater do jesuitismo despotico: obedecer perinde ac cadáver. Ora, neste momento, eu me proponho discutir as duas asserções contra o grande patriota, mostrando que não passam de uma desa-
doi:10.11606/issn.2318-8227.v22i0p241-259 fatcat:xfnhg2dlzbc3rph7jz4pji2oh4