SEXORCISMOS SELVAGENS: PÓS-PORNOGRAFIA E PERFORMANCE

ADRIANA PINTO FERNANDES DE AZEVEDO
2014 Revista escrita  
Adriana Pinto Fernandes de Azevedo é doutoranda pelo programa Literatura, Cultura e Contemporaneidade, PUC-Rio. Sua pesquisa tem como enfoque a produção artística e cultural contemporâneas que atravessam questões como pornografia, feminismo e sexualidades.. Resumo No pornoerotismo e no pós-pornô contemporâneos não existe uma fórmula para o prazer, o prazer é construído. "Os orgasmos, como a terra, são de quem os trabalha", como disse Mireia Sallarés 2 , citada por Maria Llopis em sua "Oficina
more » ... s em sua "Oficina de pós-pornografia" que aconteceu no Rio de Janeiro em 2012 (comPosições políticas / Festival Panorama de Dança). O principal problema que elas me levam a formular parte da interrogação: é possível produzir novos modos de existência / novos modos de produção subjetiva fazendo uso das tecnologias de produção de subjetividade da modernidade -aliadas às novas tecnologias? Abstract In contemporary pornoerotic and post-pornography, there is no equation to pleasure, pleasure is built. "Orgasms, as the land, belong to whoever works onthem", as said by Mireia Sallarés 3 , quoted by Maria Llopis at her "Postporno workshop" that took place in Rio de Janeiro in 2012 (comPosições políticas / Festival Panorama de Dança). The main question they drive me into comes from asking: is it possible to produce new models of existence / new models of subjectivity production connected to the modern subjectivity producing machines? Il n'y a problablement pas une societé qui ne constitue son hétérotopie ou ses héterotopies. (Michel Foucault) Na década de 1980, uma parcela do feminismo norte-americano deu início a uma política anti-pornografia. Esse movimento fazia campanhas contra as imagens de violência sexual na mídia mainstream, especialmente nas propagandas. Para essas ativistas, as produções audiovisuais e revistas com conteúdos pornográficos reforçavam a ideia de que o acesso sexual ao corpo da mulher -mesmo quando forçado -era um direito dos homens. Carolyn Bronstein, no livro Battiling Pornography: The American Feminist Anti-Pornography Movement, 1976-1986, cita a feminista Robin Morgan, que resume este sentimento na famosa frase: "Pornography is the theory, and rape the practice [A pornografia é a teoria, o estupro a prática]". De acordo com David Courbet em seu livro Féminismes et pornographie (2012), ao mesmo tempo em que algumas feministas consideravam a representação pornográfica um instrumento do sistema patriarcal para oprimir as mulheres, outras, ao contrário, a vêem como uma um instrumento que permite às mulheres se liberarem do modelo tradicional da mãe submissa a seu marido, e uma forma de provar que elas também aspiram a uma autonomia de suas vidas sexuais (COURBET, Onira: divindade que recebe suas oferendas nas águas dos rios. Guerreira e ao mesmo tempo doce. Amiga de Oxum. Algumas versões do mito narram que Onira ensinou Oxum a lutar Ilustração 4: Frame de onira vira rio
doi:10.17771/pucrio.escrita.23042 fatcat:le6shuaqivdcnjpjhdlbmo64i4