A "VOCAÇÃO" EXTRATIVISTA LATINO-AMERICANA E OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Guillermo Alfredo Johnson, Marcos Antônio da Silva
2014 Revista de Políticas Públicas  
O artigo aponta que uma das questões vinculadas à inserção dos países latino-americanos no sistema mundial interfere significativamente na reprodução do capital e, ao mesmo tempo, ergue-se em um dos principais aspectos da intensidade dos movimentos sociais: o caráter persistentemente extrativista das nossas economias. Nesta senda, aatuação do Estado, com viés desenvolvimentista pautado pelo financiamento e fortalecimento do setor privado, tem favorecido o agronegócio (freando a reforma agrária
more » ... a reforma agrária e as reivindicações dos quilombolas e indígenas), executando uma agenda de ampliação da infraestrutura (portos, hidrelétricas, estradas e políticas energéticas, para citar alguns) e facilitado à extração de minérios ao sul do Rio Bravo. Dimensões desses elementos têm provocado a reação das populações desde os lugarejos mais recônditos da Nossa América, com mobilizações populares, frequentemente isoladas pelos meios de comunicação de massas, e com o desmonte da virulência daqueles mais consolidados (como o MST no caso brasileiro). Ao mesmo tempo, no caso das grandes obras de infraestrutura, registra-se a proteção estatal ao regime precário de trabalho, com vistas a privilegiar esses setores estratégicos para o grande capital. Tendo em vista a dispersão geográfica desses movimentos sociais, assim como a desarticulação que se observa daqueles que não pouco tempo atrás se confrontavam com as políticas estatais, torna-se necessário pensar as possibilidades de unificação dessa diversidade de reivindicações aliadas às demandas dos trabalhadores.Palavras-chave: Estado, extrativismo, movimentos sociais.THE LATIN AMERICAN EXTRACTIVE "VOCATION" AND THE SOCIAL MOVEMENTSAbstract: The article points that one of the issues related to the integration of Latin American countries in the world system significantly interferes with the reproduction of capital and, at the same time, rise up in one of the main aspects of the intensity of social movements: the character of our economies persistently extractive. In this vein, the role of the State, with a bias guided by a development ruled in funding and strengthening the private sector, has consistently favored agribusiness (braking the agrarian reform and the demands of the quilombolas and indigenous people), performing an agenda for expansion of infrastructure (ports, hydroelectric plants, roads and energy policies, to name a few) and facilitated the extraction of ores from south of the Rio Bravo. The extent of these elements has triggered the reaction of the people from the most remote villages of Our America, with popular mobilizations, often isolated by mass communication, and with the dismantling of virulence of those more established (as in the Brazilian MST ). At the same time, in the case oflarge infrastructure projects, it was possible to observe the state protection for precarious work arrangements, in order to privilege these strategic sectors for great capital. In view of the geographic dispersion of these social movements, as well as the disarticulation is observed among those that recently clashed with state policies, it is necessary to consider thepossibilities of unifying this diversity of claims allied with the demands of the workers.Keywords: State, extractivism, social movements.
doi:10.18764/2178-2865.v18nep219-223 fatcat:nzxbkfk34rcazhteeba5hwskmq