Poesia, jogo e simulacro em Affonso Ávila DOI - 10.5752/P.2358-3428.2013v17n33p205

Rogério Barbosa Da Silva
2013 Scripta  
Resumo O artigo analisa os livros Barrocolagens, Cantigas do falso Alfonso El Sábio e A écloga da maçã, de Affonso Ávila, procurando explorar a forte propensão para o jogo que a escrita do poeta apresenta. Mostra ainda como essa escrita abre-se numa dimensão crítica, a qual nos obriga a oscilar entre o pensamento e a imaginação de seus poemas. Tal procedimento estético permite afirmar que alguns de seus livros contêm uma poética que se firma pelo simulacro como condição para o jogo.
more » ... o jogo. Palavras-chave: Affonso Ávila. Escrita poética. Crítica. Simulacro. Jogo. * 1Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais -CEFET-MG. currículo algum ensina daquela sábia doutrina de ao fim sorrir em surdina à paz que desce cortina sobre o sonho ou sobre a sina (ÁVILA, 2006 ). A poesia de Affonso Ávila, desde os seus primeiros livros, apresenta uma forte propensão para o jogo, abrindo-se, por conseguinte, numa dimensão crítica, a qual nos obriga a oscilar entre o pensamento e a imaginação de seus poemas, "lucilúdicos". Não seria demais afirmar ainda que alguns de seus livros, a exemplo de Barrocolagens (1981), Cantigas do falso Alfonso El Sábio (2006) e A écloga da maçã (2012), contêm uma poética que se firma pelo simulacro como condição para o jogo. Mas simulacro como potência positiva, no sentido em que a viu Deleuze, como uma voragem do significante, e oposta à teoria platônica: A cópia poderia ser chamada de imitação na medida em que reproduz o modelo; ela é uma verdadeira produção que se regula em função das relações e proporções constitutivas da essência. Há sempre uma operação produtiva na boa cópia e, para corresponder a esta operação, uma "opinião justa" ou até mesmo um saber. Vemos, pois, que a imitação é determinada a tomar um sentido pejorativo na medida em que não consegue passar de uma simulação, que não se aplica senão ao simulacro e designa o efeito de semelhança somente exterior e improdutivo, obtido por ardil ou subversão. Lá não existe mais nem mesmo opinião justa, mas uma espécie de refrega irônica, que faz as 205 SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 16, n. 31, p. 205-214, 2º sem. 2012
doi:10.5752/p.2358-3428.2013v17n33p205 fatcat:5tlg3x6bqnc7vaapvivxbqxvza