A quimioterapia adjuvante para câncer de mama engorda?

Auro del Giglio
2004 Revista da Associação Médica Brasileira  
Pacientes recebendo quimioterapia adjuvante por câncer de mama têm tendência a ganhar peso e esta conseqüência indesejável da quimioterapia é extremamente preocupante para mulheres que já terminaram seu tratamento quimioterápico. A magnitude do ganho ponderal durante o tratamento quimioterápico de mulheres com câncer de mama varia de 2,1 a 5,9 kg e, em algumas séries, encontrou-se também uma correlação prognóstica adversa do ganho ponderal durante a quimioterapia e um menor intervalo livre de
more » ... ntervalo livre de doença 1 . Em nosso meio, conduzimos um estudo retrospectivo com o objetivo de avaliar a variação de peso durante tratamento quimioterápico para pacientes portadoras de câncer de mama. Cento e seis pacientes consecutivas com câncer de mama foram avaliadas. No grupo em quimioterapia adjuvante e neoadjuvante, houve um ganho de peso médio de 0,91±1,19 % (p < 0,00001) do peso corpóreo por mês de tratamento. Não observamos correlação estatisticamente significante entre variação de peso e sobrevida livre de doença ou sobrevida global 2 . O ganho ponderal verificado durante o tratamento quimioterápico destas mulheres é basicamente devido ao aumento da gordura e água corporais sem aumento concomitante de massa muscular (obesidade sarcopênica) 3 . A causa do ganho ponderal durante a quimioterapia adjuvante em pacientes com câncer de mama é provavelmente multifatorial. Em um estudo conduzido por Demrak et al. 3 com 53 mulheres submetidas a tratamento adjuvante para câncer de mama, constatou-se que as mulheres que ganharam peso tiveram uma atividade física significativamente menor sem alteração significativa da ingesta ou do metabolismo basal. Apontam-se ainda como causas do ganho ponderal durante a quimioterapia a labilidade emocional associada a estresse psicológico, o início da menopausa durante a QT, estar fazendo dieta nos últimos seis meses, além do uso simultâneo de ablação ovariana ou corticóides. Um outro fator que não pode ser esquecido seria a freqüente associação de hipotireoidismo com câncer de mama, que em nossa experiência está presente em 16% das pacientes. Possíveis alternativas para evitar o ganho ponderal durante a quimioterapia em mulheres com câncer de mama incluem aconselhamento rotineiro com nutricionista e aderência a um programa de exercício físico 4 . AURO DEL GIGLIO Referências 1. Bastarrachea J, Hortobagyi GN, Smith TL, Kau SW, Buzdar AU. Obesity as an adverse prognostic factor for patients receiving adjuvant chemotherapy for breast cancer. Ann Intern Med 1994;120(1):18-25. 2. Costa LJ, Varella PC, Del Giglio A. Weight changes during chemotherapy for breast cancer. Apesar de uma diminuição global nas últimas duas décadas do número de realizações de colostomias temporárias, este ainda é um procedimento de grande importância no arsenal de opções cirúrgicas de um cirurgião geral. Não se encontra consenso em relação ao tempo de fechamento da colostomia. O período clássico de 8 a 12 semanas, encontrado na maioria das publicações, deve ser analisado com grande senso crítico. A literatura atual identifica taxas de complicações extremamente variadas, com índices que vão de 9% até quase 50%, nas cirurgias de decolostomias¹. Fatores inerentes ao próprio paciente, tais como idade, comorbidades associadas e uso crônico de medicações, exercem influência direta na morbidade dessas operações, assim como o motivo que levou à realização de uma colostomia². Desta forma, uma diverticulite aguda complicada, um tumor de cólon obstrutivo, uma lesão colônica por projétil de arma de fogo ou arma branca, ou ainda uma perfuração durante um exame endoscópico provocam, dependendo do paciente, respostas metabólicas e endócrinas variáveis, promovendo também efeitos diversos no processo de cicatrização das feridas³. Com isso, quando se programam as cirurgias de restituição do trânsito intestinal, o mais importante é aguardar a superação do trauma cirúrgico anterior, que é peculiar de paciente para paciente. Não se deve jamais indicar uma decolostomia sem certificar-se do estado clínico atual do doente, assim também como a condição em que se encontram os segmentos intestinais envolvidos, avaliados através de estudos contrastados e ou endoscópicos. Outra consideração importante é que, do ponto de vista técnico, colostomias feitas sem cuidado rigoroso, desde o correto posicionamento da alça até o uso de técnica adequada de maturação, estão intimamente relacionadas com maiores índices de complicações, devido a dificuldades técnicas no momento da decolostomia onde muitas vezes são necessárias colectomias segmentares. Assim sendo, o mesmo cuidado e precaução tido na hora de fechar uma colostomia, deve ser seguido na hora de confeccioná-la. OSVALDO ANTONIO PRADO CASTRO RODRIGO VINCENZI ETTORE FERRARI FRANCIULLI PAULO KASSAB ELIAS JIRJOSS ILIAS Referências 1. Biondo-Simões MLP, Brenner S, Lemos R, Duck D, Rey SD. Análise das complicações pós-operatórias em decolostomias. Acta Cir Bras 2000; 15(supl. 3):53-7.
doi:10.1590/s0104-42302004000300012 fatcat:5ny2o3u6b5hbtm2iprsilyyhoa