Fibrose miocárdica e remodelamento ventricular na insuficiência aórtica crônica importante

Nelson Elias, Flávio Tarasoutchi, Guilherme Sobreira Spina, Roney O. Sampaio, Pablo M. A. Pomerantzeff, Francisco Rafael Laurindo, Max Grinberg
2009 Arquivos Brasileiros de Cardiologia  
Resumo Fundamento: A insuficiência aórtica crônica importante sintomática (IAo) leva a grande remodelamento ventricular esquerdo, à custa de hipertrofia de mióciotos e remodelamento da matriz extracelular. A relevância da concentração de fibrose intersticial nos pacientes acometidos é desconhecida. Analisamos o grau de fibrose no ventrículo esquerdo (VE) em pacientes sintomáticos com IAo submetidos a tratamento cirúrgico e sua relação com características funcionais e anatômicas. Objetivo:
more » ... as. Objetivo: Avaliar a fibrose miocárdica na insuficiência aórtica crônica importante. Métodos: Selecionaram-se 28 pacientes com IAo (16 com função VE normal e 12 com disfunção do VE), os quais foram analisados no pré e pós-operatório por ecodopplercardiografia. A capacidade funcional foi medida pelo teste de esforço cardiopulmonar. Para comparação dos resultados histopatológicos, um grupo-controle de 9 pacientes foi constituído. Resultados: A média etária foi de 39 ± 12 anos, 75% do sexo masculino com 84% de etiologia reumática. Vinte e cinco pacientes permaneceram em classes funcionais I e II ao fim do estudo e apresentaram redução significativa dos diâmetros do VE entre os momentos pré e pós-operatórios. Houve três óbitos não relacionados à disfunção VE. Os parâmetros do teste cardiopulmonar não se modificaram entre o pré e o pós-operatório. O volume de fibrose intersticial em pacientes com IAo foi significativamente quando maior comparado ao grupo controle (3,47 ± 1,9% vs 0,82 ± 0,96%, respectivamente, p = 0,001). Não houve correlação entre o grau de fibrose do VE, parâmetros ecocardiográficos e funcionais. Conclusão: Em pacientes com IAo, a presença de fibrose miocárdica não se associou às alterações clínicas, ecocardiográficas ou funcionais. (Arq Bras Cardiol 2009;92(1):63-67) Palavras-chave: Fibrose endomiocárdica, insuficiência da valva aórtica, função ventricular esquerda. Summary Background: Significant symptomatic chronic aortic regurgitation (AR) leads to considerable left ventricular remodeling at the expense of myocyte hypertrophy and extracellular matrix remodeling. The relevance of interstitial fibrosis concentration in these patients is unknown. We analyzed the degree of fibrosis in the left ventricle (LV) in symptomatic patients with AR submitted to surgical treatment, and its relationship with functional and anatomical characteristics. Objective: To evaluate myocardical fibrosis in chronic severe aortic regurgitation. Methods: Twenty-eight patients with chronic symptomatic AR (16 with normal LV function and 12 with LV dysfunction) were selected and assessed pre-and postoperatively by echocardiography. Functional capacity was measured using maximal oxygen consumption (VO 2 max) through the cardiopulmonary test. Myocardial fibrosis volume fraction (MFV) was quantified through endomyocardial biopsy performed in all patients during surgery. We compared the histopathologic results with a nine-patient control group. Results: The mean age was 39 ± 12 years, 75% of the patients were male, and the rheumatic etiology accounted for 84% of the cases. Twentyfive patients remained in FC l and ll at the end of the study, and there was a significant reduction of the LV diameters between the preoperative and late postoperative timepoints. Three deaths occurred but they were not related to postoperative ventricular dysfunction. The parameters of the cardiopulmonary test were similar between pre-and postoperative timepoints. MFV in patients with AR was significantly higher than in the control group (3.47 ± 1.9% vs 0.82 ± 0.96%, respectively, p=0.001). There was no statistical correlation among LV fibrosis and LV diameters, LVEF and MVO 2 . Conclusion: In patients with significant symptomatic AR, the presence of limited myocardial fibrosis was not associated with clinical, echocardiographic or functional complications. (Arq Bras Cardiol 2009;92(1):61-64)
doi:10.1590/s0066-782x2009000100010 pmid:19219266 fatcat:vhwl2lvacneq5hkf5dkhfpvx5q