TAFONOMIA COMPARADA DOS CONULATAE (CNIDARIA), FORMAÇÃO PONTA GROSSA (DEVONIANO), BACIA DO PARANÁ, ESTADO DO PARANÁ

SABRINA COELHO RODRIGUES, MARCELLO GUIMARÃES SIMÕES, JULIANA DE MORAES LEME
2003 Revista Brasileira de Geociências  
COMPARATIVE TAPHONOMY OF CONULATAE (CNIDARIAN), PONTA GROSSA FORMATION (DEVONIAN), PARANÁ BASIN, PARANÁ STATE, BRAZIL A high resolution taphonomic analysis of the Conulatae from the Ponta Grossa Formation, Devonian (Pragian-Emsian), Paraná Basin, Paraná State is presented. The study is based on the occurrences found in rocks that are lithostratigraphically coeval to the Jaguariaíva Member. The taphonomic data gathered indicate that the conulariids [Conularia quichua Ulrich in Steinmann &
more » ... Steinmann & Doderlein 1890 and Paraconularia africana (Sharpe 1856)] are preserved according to three distinct taphonomic classes. These classes were established according to: a-three-dimensional distribution of fossils in the matrix; boccurrence of isolated or clustered specimens; c-degree of bioturbation; and d-degree and type of deformation showed by thecae. Taphonomic class 1 includes isolated and clustered conulariids, vertically oriented to bedding. Commonly, they are inflated, nonfragmented, and preserved in massive or laminated siltstones, sometimes with discrete and isolated ichnofossils. Taphonomic class 2 encompasses isolated or clustered conulariids that are inclined to bedding. Specimens assigned to this class are preserved in intensely bioturbated siltstones or including traces fossils, such as Zoophycus. Taphonomic class 3 is represented by isolated conulariids that are horizontally oriented to bedding, including four subclasses (I to IV) with distinct and complex taphonomic history. Vertically oriented conulariids (class 1) are interpreted as in situ (autochthonous) occurrences, in which mud clouds during storm events abruptly bury living organisms. Inclined (class 2) and horizontally oriented conulariids preserved in deeply bioturbated rocks (class 3-I) indicate autochthonous to parautochthonous occurrences. Horizontally oriented conulariids with inflated thecae, found in close association with brachiopod-dominated pavements (i.e., Australospirifer inheringi Kayser 1900) or with hummockies (class 3-II) are interpreted as parautochthonous to allochthonous records. Conversely, horizontally oriented conulariids, that are found incomplete and strongly compressed in massive fine-grained sediments (class 3-III) or in bioturbated siltstones, sometimes with climbing ripples (class 3-IV), record of complex history, including exposure at the sediment/water interface, transport and loss of skeletal hard parts. Conulariids exhibit nonrandom stratigraphic distribution in rocks of the Sequence B. In the geological section of Jaguariaíva, Paraná State, conulariids are preferentially preserved in two well-defined intervals, located at 29 to 32 and at 44 to 48 meters from the top of the Furnas Formation. Layers with in situ occurrences of conulariids (class 1), representing obrution deposits or distal tempestites, located a few centimeters below the marine flooding surfaces characterize these intervals. Finally, the taphonomic data gathered strongly support the idea that the conulariid thecae are not hard structures, but rather are flexible ones and thus able to folding. Resumo Uma análise tafonômica de alta resolução é apresentada para os Conulatae (Cnidaria) da Formação Ponta Grossa, Devoniano (Pragiano-Emsiano), da bacia do Paraná, no Estado do Paraná. O estudo se fundamenta nas ocorrências de conulários de siltitos da Seqüência B, estratigraficamente correspondentes ao Membro Jaguariaíva. Os dados tafonômicos indicam que os conulários [Conularia quichua Ulrich in Steinmann & Doderlein 1890 e Paraconularia africana (Sharpe 1856)] estão preservados segundo três classes tafonômicas, identificadas por 4 critérios: a-atitude em relação ao plano de acamamento; b-se indivíduos isolados ou agrupados; c-grau de bioturbação dos estratos e, d-grau e tipo de deformação apresentado pelas tecas. A classe tafonômica 1 inclui conulários isolados e agrupados, verticalmente orientados. Estão inflados e completos, em siltitos maciços ou incipientemente laminados, às vezes, com icnofósseis isolados, discretos. A classe 2 engloba conulários isolados e agrupados, preservados inclinados, inflados e completos, em siltitos com icnofósseis isolados (p. ex., Zoophycus) ou zonas com generalizada bioturbação. A classe 3 é representada por conulários isolados, horizontalmente orientados, incluindo quatro subclasses (I a IV) com histórias tafonômicas distintas. Os conulários verticais (classe 1) são interpretados como soterrados vivos (in situ), por rápida deposição de sedimentos finos, devido ao aumento brusco nas taxas de sedimentação, associado a eventos de tempestades. Os conulários inclinados (classe 2) ou horizontais, preservados em sedimentos com alto índice de bioturbação (classe 3-I) são também registros autóctones a parautóctones. Ocorrências de conulários horizontais, com tecas infladas, associados a pavimento de conchas de Australospirifer inheringi Kayser 1900 ou preservados em siltitos com micro hummockies (classe 3-II) são interpretados como registros parautóctones a alóctones. Por sua vez, os conulários horizontais, achatados e incompletos, preservados em folhelhos cinza escuro (classe 3-III) ou em siltito intensamente bioturbado, com marcas onduladas (classe 3-IV) revelam história tafonômica complexa, com exposição dos restos esqueletais na interface água/sedimento e perda de partes esqueletais. Ao longo da seção de Jaguariaíva, Formação Ponta Grossa, a distribuição vertical dos conulários não é aleatória, pois os mesmos ocorrem em dois intervalos estratigráficos bem definidos, 29 a 32 metros e 44 a 48 metros do topo da Formação Furnas. Tais intervalos incluem depósitos de sufocamento, situados logo abaixo de superfícies de inundação marinha. Finalmente, os dados aqui coligidos suportam, fortemente, a idéia de que a teca dos conulários não foram estruturas rígidas, mas flexíveis e, portanto, passíveis de deformação sem quebra. Palavras-chave: Conulatae, Tafonomia, Devoniano, Formação Ponta Grossa, bacia do Paraná.
doi:10.25249/0375-7536.2003334379388 fatcat:rd7forw3qzcatnfgetbpxstgc4