ENTREVISTA COM O POETA EXPERIMENTAL ERNESTO MANUEL DE MELO E CASTRO

Ana Cristina Joaquim
2013 Revista Desassossego  
1-Ernesto, começo essa conversa trazendo um dado da sua biografia que acaba por resultar numa metáfora da sua atuação poética: profissional de engenharia têxtil e tendo ministrado cursos de tecnologia na área, você propõe um diálogo entre a tecnologia e a criação textual (textum: tecido...). Considerando que você foi um dos pioneiros no uso da diversidade de mídias com finalidades literárias em Portugal, em que medida você diria que a tessitura da palavra foi se fazendo em diálogo com a
more » ... álogo com a tecnologia no seu percurso criativo? ERNESTO MANUEL DE MELO E CASTRO: É um fato insofismável que a minha vida se deu entre o tecido e o texto! Para responder à sua pergunta vou recuperar um texto já com alguns anos em que tento estabelecer os modos como sinto essa dualidade. Acontece que o aspecto têxtil é uma coisa importante, porque o têxtil não é inocente. Eu fui conduzido para a engenharia têxtil por razões imediatas, pela necessidade de tirar um curso, pela necessidade de ter uma profissão; eu tinha passado por três anos de boêmia em Lisboa, pretendendo estar a frequentar um curso de medicina para o qual não tinha nenhuma vocação e a única coisa que eu fazia na Faculdade de Medicina era ler poemas,
doi:10.11606/issn.2175-3180.v5i9p181-197 fatcat:qp5jxhaqrngjzprkeai5eq2e4q