Editorial

Angelo da Cunha Pinto
1997 Journal of the Brazilian Chemical Society  
Muito vem se falando sobre a globalização da economia, e as recentes privatizações de grandes empresas estatais demonstram que o governo brasileiro é partidário e defensor dessa globalização. Como é regra, há os que são a fa vor e os que são con tra a abertura da economia brasileira. O mesmo não ocorre na ciência, onde todos defendem o axioma de que o conhecimento científico é uni ver sal. Este discurso está na boca dos políticos e dos cientistas, quaisquer que sejam suas concepções políticas.
more » ... cepções políticas. Por que então as instituições federais de ensino su pe rior continuam impedidas de contratarem professores estrangeiros? Só a economia é internacional? Ensino e ciência são reservas de mercado? Diz-se que só falta o poder legislativo regulamentar a lei dos estrangeiros. O fato é que professores foram aprovados por concurso e não podem ser contratados porque são estrangeiros. Os concursos começam a perder sua validade (se já não a perderam). A situação torna-se mais esdrúxula com o acordo assinado en tre a FAPESP e a instituição alemã DAAD, que facilita a vin da de cientistas alemães para as universidades paulistas. Por que a filosofia do governo de São Paulo é diferente da do governo federal, ainda mais quando se trata do mesmo partido político? Parece-nos que é chegado o momento de também as universidades brasileiras se globalizarem e atrairem, sem restrições, os melhores cérebros, sem distinção de nacionalidade. Angelo da Cunha Pinto There has been a great deal of talk about the glob aliza tion of the econ omy, and the re cent pri vat iza tion of large state com pa nies has dem on strated that the Bra zilian gov ern ment is par ti san and a de fender of glob al ization. As a rule, there are those who are in fa vor and those who are against the open ing of the Bra zil ian econ omy. This does not oc cur in the case os sci ence, where ev ery one de fends the ax iom that sci en tific knowl edge is uni ver sal. This sub ject is on the lips of both pol i ti cians and sci en tists, re gard less of their po lit ical ori en ta tion. Why then do the fed eral instituions of higher ed u ca tion con tinue to be im peded from hir ing for eign pro fes sor? Is only the econ omy internacional? Are teach ing and sci ence be ing pro tected from the global mar ket? Aparently all that is miss ing is for the leg is la ture to reg u late the law re gard ing for eign ers. The fact is taht pro fes sors have al ready been cho sen trough the pub lic se lec tion pro cess and can not be hired be cause they are for eign ers. The de ci sions re sult ing from these se lec tion have be gun to lose their va lid ity (if they have not already lost it). The sit u a tion has be come even stranger with the ageement signed be tween FAPESP and the Ger man in sti tu tion DAAD, wich fa cil i tates Ger man sci en tists com ing to uni ver si ties in São Paulo. Why is the phi los o phy of the gov ern ment of the state of São Paulo dif fer ent from that of the fed eral gov ern ment, espe cially when taken into con sid er ation that they be long to the same party? It seems to us that the mo ment has ar rived for Brazil ian uni ver si ties to glob al ize and attact the best scholars, with out re stric tions and with out re gard for na tion al ity.
doi:10.1590/s0103-50531997000400001 fatcat:szi3ib6o5vdq5oonf5b4i6poyy