INFECÇÃO EM UTI

Cid Marcos Nascimento David
1998 Medicina (Ribeirao Preto Online)  
RESUMO: As infecções, de origem comunitária ou nosocomial, constituem-se numa das principais causas de mortalidade dos pacientes críticos, internados nas Unidades de Terapia Intensiva. O aumento de sua incidência e o aparecimento de potentes mecanismos de virulência por parte dos microorganismos têm sido relacionados ao incremento da resistência desses microorganismos aos antibióticos de largo espectro. Este artigo revisa alguns dos aspectos que envolvem as diferentes infecções, apresentadas
more » ... es, apresentadas pelos pacientes críticos, assim como aborda as controvérsias sobre a antibioticoterapia, utilizada no combate dos patógenos mais freqüentes. UNITERMOS: Infecção. Antibióticos. Infecção Hospitalar. Infecções Comunitárias Adquiridas. Unidade de Terapia Intensiva. 337 INTRODUÇÃO A infecção é manifestação freqüente no paciente grave, internado na Unidade de Terapia Intensiva. O paciente pode ter infecção de origem comunitária, isto é, já presente ou incubada na época da admissão hospitalar, ou nosocomial, definida pelo aparecimento após quarenta e oito (48) horas de internação. As infecções nosocomiais podem ainda ser consideradas precoces, quando surgem nas primeiras noventa e seis (96) horas de internação, ou tardias, quando, geralmente, está envolvido um processo de colonização microbiana por patógenos hospitalares. Cerca de 5% dos pacientes hospitalizados nos Estados Unidos (USA) adquirem infecções nosocomiais, variando com as características do hospital e o tipo de serviço. Grandes hospitais universitários têm mais infecção do que pequenos hospitais não universitários, principalmente nos serviços cirúrgicos (1). As infecções mais freqüentes são urinárias (35 a 45%), feridas cirúrgicas e pneumonias (10 a 25%). Os métodos invasivos, como a cateterização urinária, a intubação traqueal, a ventilação mecânica e cateteres intravasculares são responsáveis por grande número das infecções. As bacteremias podem ser secundárias a uma determinada infecção ou primárias (cerca de 25%) e sem fonte identificada, mas, freqüentemente, relacionadas a método invasivo, como os cateteres intravasculares, arteriais ou venosos, centrais ou periféricos, e nutrição parenteral (1) . Os patógenos mais comuns, isolados em bacteremias são S. aureus, S. epidermidis e bacilos Gram-negativos, além dos fungos. A pneumonia é infecção comum na Unidade de Terapia Intensiva, podendo ser de origem comunitária ou nosocomial. Estatísticas internacionais mostram que a pneumonia nosocomial ocorre em cinco (5) a dez (10) casos, em mil (1000) internações hospitalares e aumenta de seis (6) a vinte (20) vezes em pacientes sob ventilação mecânica (20% a 25%). É ainda mais freqüente em pacientes com síndrome de angústia respiratória aguda (SARA), ocorrendo em até 70% dos pacientes que evoluem para o óbito, embora Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: MEDICINA INTENSIVA: I. INFECÇÃO E CHOQUE 31: 337-348, jul./set. 1998 Capítulo I
doi:10.11606/issn.2176-7262.v31i3p337-348 fatcat:komiqiehlrbohfdxcxagrw7ujm