Avaliação da função dos músculos respiratórios em doentes com falência ventricular esquerda

Miguel Mota Carmo, Cristina Bárbara, Sara Ferreira, Jaime Branco, Teresa Ferreira, António Rendas
2001 Revista Portuguesa de Pneumologia  
RESUMO A diminuição da força dos músculos respiratórios, determinada pela medição das pressões máximas respiratórias a nível da boca, tem sido evocada como um dos mecanismos geradores de dispneia em doentes com insuficiência cardíaca esquerda (ICE). Conhecendo as limitações para a determinação da "verdadeira" força dos músculos respiratórios pretendemos neste estudo comparar os resultados de diferentes técnicas de avaliação da força dos músculos respiratórios, num grupo de doentes com ICE. Para
more » ... entes com ICE. Para o efeito estudámos 20 doentes do sexo masculino com ICE (GI), classes II e III de New York Heart Association (NYHA), e comparámo-los com um grupo de controlo normal (GII) de 19 homens, com idade semelhante. Determinámos as pressões máximas respiratórias a nível da boca [Pressão Máxima Expiratória (PME) e Pressão Máxima Inspiratória (PMI)], o Sniff nasal (SNIF-N) e o Sniff esofágico (SNIF-E). Os resultados obtidos foram os seguintes: PME: GI -138.7±42.1.2 cmH 2 O; GII -152.5±40.8 cmH 2 O; p:NS; PMI: GI -74.1±22.2 cmH 2 O; GII -85.8±16.6 cmH 2 O; p<0.03; SNIF-N: GI -95.6±22.2 cmH 2 O; GII -96.6±16.6 cmH 2 O; p:NS; SNIF-E: GI -96.2±20.6 cmH 2 O; GII -97.5±18.5 cmH 2 O; p:NS. Quando comparámos a PMI e o SNIF-N encontrámos uma diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos: GI -p<0.0002 e GII -p<0.009. Por outro lado não se registaram diferenças entre o SNIF-N e o SNIF-E. Concluímos que a PMI subestima o valor das pressões máximas respiratórias e que os doentes com ICE, em classe II e III de NYHA, não apresentavam diminuição da força global dos músculos respiratórios, dado que não se verificaram diferenças significativas entre doentes e grupo controlo, a nível da PME e do SNIF nasal e esofágico. Assim o SNIFF-N parece-nos ser uma técnica a propor como método não invasivo de avaliação da força dos músculos respiratórios visto que apresentou resultados sobreponíveis aos da determinação do SNIFF-E. REV PORT PNEUMOL 2001; VII (6): REV PORT PNEUMOL 2001; VII (6):
doi:10.1016/s0873-2159(15)30860-6 fatcat:e65ci6ljcndpxhlzjf5dtcdmgy