Às mais velhas

Ana Clara Sousa Damásio, Iyaromi Feitosa Ahualli
2018 Revista Calundu  
Esse texto tem a intenção de fazer uma breve reflexão acerca do envelhecimento, da velhice ou do velho, enquanto categorias complexificadas a partir da minha vivência enquanto Iaô e enquanto estudante de antropologia. Por um lado eu poderia optar em trazer todas as teorias acerca do envelhecimento ocidentalmente construídas e me resguardar teoricamente com as mesmas nesse texto, é isso que constantemente a academia nos ensina a executar. Só que hoje, nesse texto, me resguardo teoricamente com
more » ... teoricamente com minha Mais Velha com a teoria e epistemologia da oralidade da sua fala e dos seus conhecimentos. Então, organizo este texto inicialmente com sua fala em uma entrevista, em seguida faço uma breve reflexão acerca do envelhecimento e por último o epílogo (esse, nunca conclusivo). Entrevista Ana Clara: O que é ser uma "mais velha" no candomblé? Iyaromi: Então, quando você é a Mais Velha no candomblé, pressupõe várias coisas. A primeira, é que pressupõe que existe alguém Mais Novo que você. Então para você ser a Mais Velha tem que ter alguém mais novo. Nós somos categorizados enquanto Mais Velhos e Mais Novos, pela idade. Inclusive da idade entre os mais próximos em questões de meses e dias. Mas a idade é contada basicamente por aquele que passou por ritos primeiro. Ganhou direitos primeiro, ganhou o conhecimento primeiro. Logo, ser uma Mais Velha é ter conhecimento, receber certos direitos, obrigações e passar isso para o Mais Novo. Ser uma Mais Velha diz respeito a você ter a obrigação, não só ritualística, mas num sentido bem amplo, ter a obrigação de não deixar com que os conhecimentos, com que a tradição não morra. Porque quando você é o Mais Velho de alguém, significa
doi:10.26512/revistacalundu.v2i2.15261 fatcat:brbxofpcnzh65ccukquuwios2u