A transcrição como uma ferramenta para aumentar a consciência metalinguística em alunos de Língua Gestual Alemã como segunda língua

Emily Kaufmann, Reiner Griebel, Thomas Kaul
2019
Resumo Especialmente em adultos a aprender uma segunda língua, a consciência metalinguística é uma componente importante na aquisição da competência linguística. Esta comunicação apresenta um estudo que avalia uma nova técnica de treino linguístico baseada na transcrição, projetado para melhorar a consciência metalinguística de alunos a aprender uma língua gestual como L2, com foco na área das características não--manuais (gestos com a boca e ativação das sobrancelhas), uma área que geralmente
more » ... rea que geralmente representa uma grande dificuldade para adultos ouvintes a aprender língua gestual. Este estudo centra-se em gestos idiomáticos (e.g. configuração f em direção à testa, que significa "não faço ideia") e em perguntas, uma vez que contêm gestos com a boca e ativação das sobrancelhas. Os participantes (N=33) eram ouvintes nativos de alemão e alunos do programa de Educação de Surdos na Universidade de Colónia, a frequentar o quinto semestre do curso em Língua Gestual Alemã (DGS), durante o período do estudo. O estudo foi realizado exclusivamente durante o horário da aula de DGS 5. O estudo desenvolveu-se da seguinte forma: realizaram-se cinco sessões de treino, em cada qual era mostrado aos alunos um vídeo com uma frase em DGS contendo um gesto idiomático. O vídeo foi produzido as vezes que os participantes quiseram, e a frase e o gesto idiomático foram discutidos. No Grupo 1 (N=18), o grupo de controle, foi usada esta abordagem padrão para o ensino de gestos idiomáticos. No grupo 2 (N=15), o grupo de teste, foi utilizada a tarefa de transcrição: o gesto idiomático foi discutido tal como no primeiro grupo e, adicionalmente, foi solicitado aos participantes que transcrevessem as frases, incluindo glosas, gestos com a boca, articulação oral e ativação das sobrancelhas. Após as cinco sessões de treino, deu-se a sessão de testes, igual para ambos os grupos. Os participantes assistiram a 12 vídeos, cada um dos quais apresentava uma frase completa em DGS, contendo um gesto com a boca ou uma ativação das sobrancelhas como uma característica saliente. Metade dos vídeos continha um erro na respetiva característica não-manual e metade não tinha qualquer erro. Para cada item, os participantes foram instruídos a decidir se a frase tinha não um erro e, se sim, de que forma a corrigi-lo. Como em estudos anteriores, a capacidade de detetar e corrigir erros é usada como uma medida de consciência metalinguística. O desempenho foi comparado entre os dois grupos e os resultados mostram uma diferença significativa entre os grupos (p <0,01), tendo o grupo de teste um melhor desempenho na tarefa de deteção/ correção de erros. Este resultado indica que a consciência metalinguística dos alunos de DGS e, por extensão, a sua competência, na área dos elementos não-manuais pode ser melhorada através da integração de técnicas de transcrição em cursos de DGS. Estudos futuros sobre outras técnicas com tecnologia de vídeo podem revelar-se igualmente promissoras.
doi:10.34632/cadernosdesaude.2013.3075 fatcat:5xe6tp7xvrbf5ovlvmrimxjngy