Guimarães Rosa, Carl Gustav Jung e Samnyasa

Teresinha V. Zimbrão da Silva
2018 Todas as Letras Revista de Língua e Literatura  
Resumo: Neste artigo, trabalharemos com três áreas de conhecimento: Literatura, Psicologia e Religião. Nossa intenção é produzir um diálogo interdisciplinar. Confrontaremos o conceito de individuação de Carl Gustav Jung com o sistema religioso hindu dos quatro ashrams (ordem espiritual da vida) -dentre os quais samnyasa (renúncia) -, a fim de analisar o conto de Guimarães Rosa, "A terceira margem do rio". Palavras-chave: Guimarães Rosa. Psicologia Junguiana. Índia. introdução As pessoas não
more » ... As pessoas não morrem, ficam encantadas (ROSA, 1967) . ■ E m 1967, ou seja, há cerca de 50 anos, morria João Guimarães Rosa, um dos maiores escritores brasileiros. Este artigo tem a intenção de prestar homenagem à sua memória. Trata-se de uma leitura do famoso conto rosiano publicado em 1962, "A terceira margem do rio" (ROSA, 2009b, p. 420-424). Procuraremos então explicitar, tanto à luz da psicologia de Jung quanto das tradições filosófico-religiosas indianas, o potencial do conto de tematizar a problemática da renúncia, ou samnyasa, tema discutido no conjunto de textos indianos intitulado Upanixades e do qual utilizaremos aqui a versão traduzida (para o inglês) e organizada por Patrick Olivelle (1992). O artigo ousa se propor como contribuição à imensa fortuna crítica do escritor que, contudo, carece de estudos com semelhante recorte. De fato, há poucas leituras junguianas da obra de Rosa, como também há poucas leituras sobre o diálogo rosiano com as
doi:10.5935/1980-6914/letras.v20n1p157-166 fatcat:ck4nvijwwvabrcuigly3dh6fem