Editorial

Rosana A. Bassani
2013 Revista Brasileira de Engenharia Biomédica  
Prezados leitores e colaboradores da RBEB, O ano de 2013 chega ao fi m, com a publicação pela RBEB de 40 artigos completos, com uma pequena, mas importante participação de grupos não brasileiros. O próximo ano nos traz uma nova perspectiva, pois, a partir de então, a RBEB passará a publicar artigos num único idioma, o inglês. Esta mudança, que representa um passo natural na evolução dos periódicos científi cos, deverá trazer maior visibilidade internacional para o trabalho dos autores, além de
more » ... s autores, além de ser um requisito para seguirmos nessa evolução, ou seja, a possibilidade de futura indexação da revista em outras importantes bases bibliográfi cas. Um benefício adicional será a possibilidade de maior internacionalização da submissão de manuscritos, bem como dos corpos editorial e de revisores. Esta última expansão permitirá contar com mais revisores que atuam mais diretamente nas áreas e temas específi cos dos manuscritos submetidos, o que nem sempre é possível dentro do universo restrito de revisores potenciais que compreendem bem nosso idioma nativo. Junto ao benefício da maior visibilidade e internacionalização, vem também a crescente responsabilidade dos editores, revisores e autores em buscar aprimorar a qualidade da revista, a única no Brasil dedicada à área de Engenharia Biomédica, para que o aumento real da visibilidade da produção brasileira na área possa se concretizar. A RBEB será vitrine do que se produz no Brasil nesta área, cuja importância tem crescido tanto mundialmente. Estou certa que queremos mostrar o que temos de melhor. Historicamente, desde sua fundação em 1983, a RBEB sempre foi um canal para publicação de trabalhos derivados de dissertações de Mestrado e teses de Doutorado. Este perfi l continua até hoje, o que é bom, pois a elaboração de artigos e sua submissão são parte importante da formação dos alunos de pós-graduação. Para estes autores, considero importante comentar alguns pontos. É preciso lembrar que a submissão de um manuscrito para publicação em um periódico científi co é um processo bem diferente de ter seu trabalho analisado por uma banca examinadora de defesa de dissertação ou tese. No último caso, os principais fatores avaliados são o conhecimento do aluno no tema do seu projeto e a sua trajetória de aprendizado e amadurecimento, enquanto que a originalidade do trabalho, embora valorizada, nem sempre é considerada fundamental. Já no caso de um artigo submetido à publicação, é essencial que o trabalho traga alguma contribuição original e relevante ao conhecimento existente. Para um bom artigo, é importante: a) elaborar, de maneira clara, objetivos e/ou hipóteses relevantes cientifi camente; b) realizar o trabalho com apuro e solidez técnicos, utilizando metodologia adequada e bem descrita; c) que o corpo de resultados seja apresentado de forma clara, e seja completo o sufi ciente para responder às questões levantadas nos objetivos/hipóteses; e, d) que, ao fi nal de uma discussão dos resultados à luz da literatura atualizada, na qual seja apontada a contribuição científi ca inédita do estudo, bem como as limitações do trabalho (porque todo trabalho as tem), sejam expostas conclusões condizentes com os objetivos propostos e os resultados encontrados. Uma diferença básica entre uma dissertação/tese e um artigo científi co diz respeito aos seus objetivos: enquanto a primeira refl ete a formação do aluno, o segundo tem como objetivo primário a contribuição para o avanço científi co, ou seja, trata-se de um relato (que deve ser bem fundamentado e desenvolvido) que adicione conhecimento novo. Assim, nem sempre o material de uma tese/dissertação é adequado para um artigo, mesmo que ele tenha refl etido aprendizado do aluno. Suponhamos que problemas ocorridos durante a execução de um trabalho (e.g., avaria do instrumento de medição, experimentos que não funcionaram) tenham resultado em amostragem insufi ciente dos dados. Esta defi ciência poderia ser relevada por uma banca examinadora, mas o problema nunca seria considerado uma justifi cativa aceitável para a baixa amostragem na análise de um manuscrito. No artigo, o aluno é considerado um pesquisador como outro qualquer, não um aprendiz. São publicações diferentes, com diferentes naturezas e objetivos, e também diferentes níveis de rigor na análise. Editorial http://dx.
doi:10.4322/rbeb.2013.044 fatcat:cfq2ofosabcthilmffozezttx4