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Claudio E. Kater
2005 Arquivos brasileiros de endocrinologia e metabologia  
e colega de vários endocrinologistas brasileiros e um amigo muito especial. Apesar da saúde algo debilitada, mantinha-se em boa forma até que o fatal acidente vascular cerebral o levou. Nascido em 17/01/1925, tinha acabado de completar 80 anos e ainda considerava novas visitas à Itália e ao Brasil. Presto uma homenagem pessoal a este grande homem voltando no tempo e enfocando este relato no início da nossa aproximação. Era 1978. Enquanto terminava minha tese na Endocrinologia da EPM, ia
more » ... da EPM, ia vislumbrando um estágio no exterior. Com 31 anos, era -e me sentia -absolutamente jovem e disposto. E cheio de planos. Eu e Sonia tínhamos a Marina e o Guilherme, uma filha de um ano e pouco e um garoto recém-nascido. Apesar do pouco dinheiro, já tinha uma posição de Professor Assistente na EPM, o que me garantiria algum sustento lá fora. O entusiasmo era enorme e os eventuais problemas pareciam todos facilmente contornáveis. Interessado desde cedo nas raras doenças da adrenal, buscava alguém nos EUA com quem pudesse aperfeiçoar meus conhecimentos sobre os misteriosos esteróides. Apreciador do famoso -e à época único -Textbook of Endocrinology de Robert Williams, em cujo índice todos os autores de capítulos tinham suas fotos estampadas, eu, tanto quanto o Rui Maciel, curtia muito apreciá-las. Desde meu incipiente interesse pela especialidade, Grant W. Liddle era um dos meus grandes ídolos na "adrenologia". Quem não o conhecia? Praticamente tudo o que se sabia à época sobre fisiologia e fisiopatologia adrenal tinha tido sua mãozinha, ou de gente do seu grupo da Vanderbilt University. Em paralelo aos meus interesses endócrinos, sempre fui um inveterado "curtidor" da música popular norte-americana, em especial do rock'n'roll, do soul and blues e da country music. A universidade de Vanderbilt ficava, tanto quanto o Grand Ol' Opry House, em Nashville, Tenessee, berço do country, e próxima de Memphis, cidade de Elvis "The Pelvis" Presley e sua Graceland. Puxa! Parecia o máximo poder juntar interesses acadêmicos e hobbies musicais num mesmo lugar. Bastava o homem (que acabou virando nome de "teste de supressão com dexametasona") me aceitar. Mas meu inglês à época resumia-se praticamente às letras das canções norte-americanas que eu ouvia sem parar. Muito pouco para escrever uma carta oficial e muitíssimo pouco para me arrogar a entabular uma conversação telefônica com meu então ídolo. Pedi orientação ao Chacra e ao Artur Ribeiro, colega da Nefrologia da EPM recém chegado de um estágio em New York com Larry Krakoff, e participante do recém iniciado Ambulatório de Hipertensão, que Manoel Saragoça, Maria Teresa Zanella e eu criamos, com a anuência dos Profs. Oswaldo Ramos e Horácio Ajzen, meu co-orientador da tese de Mestrado. Para minha desilusão, Artur Ribeiro perguntou se eu conhecia Nashville, colocando em cheque meu pseudo-interesse: -Não!, disse eu.
doi:10.1590/s0004-27302005000200018 fatcat:doodljsaezhobbmw33po27ziry