A história da alfabetização de adultos no ensino, na pesquisa e na extensão da UFU e da UFMG (1986-2019)

Francisca Izabel Pereira Maciel, Sônia Maria dos Santos
2020 Cadernos de História da Educação  
Em um país, historicamente marcado pelos altos índices de analfabetismo – atualmente com 11,3 milhões de analfabetos– é possível constatar, por meio das pesquisas teóricas, como também nos profissionais da área da educação, que a EJA possui um lugar periférico nas políticas públicas, nas atividades, nas produções acadêmicas, principalmente no que diz respeito à alfabetização de jovens e adultos. Neste artigo, propomos uma reflexão sobre a história de alfabetização de adultos, a partir de
more » ... a partir de Projetos desenvolvidos no campo do ensino, da pesquisa, e da extensão desenvolvidos em duas instituições federais, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desde a década de 80. O tripé das Universidades públicas são as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Portanto, tematizar e refletir sobre a importância de projetos de extensão nas Universidades é o objetivo deste artigo. Nem sempre as atividades extensionistas são valorizadas nos meios acadêmicos e o mesmo ocorre quando se trata da educação de jovens e adultos. Neste artigo, duas pesquisadoras buscam narrar suas histórias de projetos de pesquisa e extensão vivenciadas no campo acadêmico da alfabetização de adultos. No caso da UFMG, foi criado um projeto de pesquisa, inicialmente, coordenado por professores da Faculdade de Letras, cujo objetivo era compreender o processo de aquisição da leitura e da escrita em adultos analfabetos. A partir de 1986, o projeto foi integrado à Faculdade de Educação, ampliado ao longo dos anos como um projeto de extensão, ensino e pesquisa de pós-graduandos da linha Educação e Linguagem do Programa de Pós-Graduação da FaE/UFMG. Refletir sobre a longa duração desse Projeto ajuda-nos a entender o lugar das universidades no processo educativo e no compromisso social que a academia deve ter com as camadas menos favorecidas e na socialização da produção dos conhecimentos acadêmicos. Quanto a UFU, o processo foi inverso ao da UFMG, pois nesta universidade, a EJA aparece inicialmente e de forma tímida na extensão com cursos isolados e uma sala de alfabetização de EJA onde há mais de 15 anos atende alunos com problemas psicossociais. Essa experiência foi se consolidando não só na extensão como também um dos campos de pesquisa sobre a história da alfabetização na EJA nas linhas do PPGED/FACED/UFU, e ainda nos cursos de aperfeiçoamento financiados pela SEB/MEC e SECADI/MEC, a partir de 2009.
doi:10.14393/che-v19n1-2020-4 fatcat:ehktq6u6nzbhzab2canq2eo6zq