Transplante de Limbo

Samuel Rymer
2000 Arquivos Brasileiros de Oftalmologia  
Este artigo faz uma revisão bibliográfica sobre o tratamento cirúrgico das doenças da superfície ocular, utilizando-se transplante de limbo córneo-conjuntival. Tece inicialmente algumas considerações sobre as principais causas de alteração da superfície ocular e em seguida, descreve trabalhos que evidenciam o papel das "stem cells" (células germinativas) do epitélio corneano e a sua localização no limbo. Finalmente, descreve as diferentes técnicas cirúrgicas que empregam o limbo
more » ... mbo córneo-conjuntival e os resultados obtidos. Limbal transplantation (1) Professor Adjunto RESUMO Palavras-chave: Transplante de limbo; Células germinativas; Superfície ocular. ATUALIZAÇÃO CONTINUADA Transplante de Limbo A superfície ocular normal é coberta pelo epitélio conjuntival e corneano, cada qual com fenótipos celulares correspondentes. A córnea é coberta por um epitélio escamoso estratificado com junções intercelulares firmemente aderidas, o que lhe confere uma superfície óptica adequada. Por outro lado, o epitélio conjuntival contém células caliciformes que produzem a camada mucosa do filme lacrimal. Estes fenótipos epiteliais são vitais na manutenção da integridade da superfície ocular 1 . Queimaduras químicas ou térmicas severas, especialmente as causadas por substâncias alcalinas, doenças das membranas mucosas, como Síndrome de Stevens-Johnson ou Doença de Lyell, aniridia ou cirurgias múltiplas do segmento anterior podem determinar alterações da superfície ocular, levando a graves complicações como: defeitos epiteliais persistentes, úlceras tróficas, neovascularização, necrose corneana ou até perfurações oculares 2 . Estes fenômenos ocorrem, particularmente, quando além da destruição do epitélio corneano e conjuntival, há importante comprometimento do limbo 3 . A anatomia clínica do limbo foi observada por Vogt em 1921 4 , quando descreveu projeções presentes na conjuntiva perilimbar, perpendicular à córnea. Em 1971, Davanger & Evansen 5 sugeriram que estas projeções perilimbares fossem a fonte das células germinativas (CG) precursoras do epitélio corneano. Estudos recentes utilizando anticorpos monoclonais sugerem a existência de CG localizadas na camada basal do epitélio limbar e que parecem ser as precursoras do epitélio corneano 6-8 . Schermer, Galvin, Sun 6 sugeriram que a falta de expressão da proteína 64 kD, que reage com o anticorpo monoclonal AE5, nas células basais limbares, indica que elas são menos diferenciadas do que as outras células do epitélio corneano e que assim, elas representam as CG do epitélio corneano. Corroborando estes achados, Chen & Tseng 9 evidenciaram que a
doi:10.1590/s0004-27492000000400013 fatcat:vvggv2aufjaq3lza7pcu6tbsbq