DIREITOS HUMANOS E SOBERANIA ALIMENTAR NA ATUAÇÃO DA REGIONAL LATINO-AMERICANA DA UNIÃO INTERNACIONAL DOSTRABALHADORES DA ALIMENTAÇÃO (REL-UITA)

Icaro Bittencourt
2013 unpublished
Resumo: Em 1920, sindicatos de trabalhadores em padarias, cervejarias, açougues e frigoríficos de países principalmente do norte europeu fundaram uma federação sindical internacional para representar os interesses daquelas categorias. Nascia naquele momento a União Internacional de Trabalhadores da Alimentação (UITA) que, mais tarde, a partir do final dos anos 1940, incorporaria entre seus afiliados trabalhadores de diversos ramos da alimentação e da produção agrícola (como os plantadores de
more » ... aco) e também diversos sindicatos que aglutinavam os trabalhadores em hotéis, restaurantes e turismo. Em 1967 foi criada, em Montevidéu, a seção regional latino-americana da UITA (REL-UITA), que congregou algumas das lutas sindicais de trabalhadores da alimentação de diversos países sul-americanos. Essa pesquisa investiga como, na sua atuação internacional, a REL-UITA articulou, dentro das lutas sindicais, os conceitos e as práticas da luta pelos direitos humanos e pela soberania alimentar dos trabalhadores afiliados e também da população em geral. A partir das publicações oficiais da federação sindical, dos registros de sua atuação pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e também através do levantamento de algumas lutas específicas da entidade e dos seus sindicatos, procuro problematizar a origem e os desdobramentos das categorias direitos humanos e soberania alimentar na atuação da entidade nas últimas três décadas do século XX. Palavras-chave: direitos humanos; soberania alimentar; Regional Latino-Americana da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação, sindicalismo; Introdução Nas últimas décadas, as transformações do capitalismo contemporâneo foram acompanhadas por modificações nas formas de luta das associações de trabalhadores. Se mesmo no processo de consolidação da sociedade liberal burguesa, as reivindicações e lutas operárias não se expressaram de forma unívoca e sofreram significativas transformações, não é surpresa constatar que a expansão e diversificação do capitalismo no século XX tenham engendrado novos contextos produtivos e de relações de trabalho e novas formas de se compreender a realidade social e de se propor alternativas a situações de exploração que afetam um grupo específico ou a maioria da população.
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