Uma história brasileira das doenças

Luiz Antonio de Castro-Santos
2006 Cadernos de Saúde Pública  
RESENHAS BOOK REVIEWS locar na sua prática as "teorias" às quais se filiava e, com isso, foi desacreditado pelos seus familiares, rotulado de "doente mental" e indo parar no hospital. Nesse sentido, conclui a autora, o imaginário "sobre a loucura não se limita a 'fórmulas' ou estigmas que caracterizam o louco como um ser excluído da sociedade. Existe uma gama de fatores que aí interferem. A atribuição de um estereótipo refere-se à sistematização de uma identidade, não considerando a diversidade
more » ... rando a diversidade das representações. A dicotomia, então, instala-se (é louco ou não é louco), desaparecendo qualquer possibilidade de diálogo com o imaginário do próprio doente" (p. 168). A conclusão final da pesquisa é a de que existia, durante o período estudado, "um abismo entre a prática médica e a compreensão de vida do paciente" (p. 170). Não houve, portanto, uma "dialética" entre a autoridade médica de diagnóstico e tratamento e a vida e psicologia própria de cada doente. A história do Hospital Psiquiátrico São Pedro, sob a administração de Jacinto Godoy, explicita o momento pelo qual o Brasil passava: um regime autoritário, reforçado pela personalidade carismática de Getúlio Vargas e pelo "culto ao chefe". Conseqüentemente, para garantir a "unidade social" e excluir os "rebentos degenerados", tanto o Estado como a instituição psiquiátrica terminaram desenvolvendo uma verdadeira prática eugenista.
doi:10.1590/s0102-311x2006000600025 fatcat:4z4de4uhq5fyvdwmm4stp2nyr4