Valor da ressonância magnética da coluna vertebral lombar com carga na avaliação de estenose do canal vertebral

Luiz Guilherme Hartmann, Artur da Rocha Correa Fernandes, Jamil Natour
2005 Revista Brasileira de Reumatologia  
O conceito de estenose do canal vertebral é baseado no fato de que um espaço mínimo é necessário para o funcionamento normal das estruturas nervosas do canal vertebral, e que este espaço, sob certas circunstâncias, se torna estreito. Na prática clínica, um número expressivo de pacientes com sintomas significativos não possuem alterações correspondentes em exames de tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM); para estes casos é possível que as alterações morfológicas atinjam
more » ... ológicas atinjam níveis críticos e sintomatológicos durante a aplicação de carga. A aplicação de carga axial produz efeitos dinâmicos sobre o canal vertebral, tanto em pacientes sintomáticos quanto na população normal, diminuindo a área transversal do saco dural em um grande número de pacientes com estenose do canal vertebral (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) . Dentre as causas de estenose em adultos, podemos dividilas em constitucional ("congênita") e degenerativa. A estenose puramente constitucional é um fenômeno permanente, que não é influenciado significantemente pela postura ou pela carga axial do peso corporal sobre a coluna (8 ). Um segmento estreito do canal vertebral pode se tornar estenótico e sintomático quando alterações degenerativas se sobrepõem a este estreitamento constitucional. A estenose degenerativa, que se instala em um canal vertebral constitucionalmente normal, pode acometer o canal vertebral propriamente dito, sendo chamada de estenose central, ou os recessos laterais, denominada estenose lateral, isoladamente ou simultaneamente. A forma degenerativa de estenose é, em parte, um fenômeno dinâmico, influenciado pela aplicação da carga axial corporal e pela postura (9) (10) (11) . Este componente dinâmico torna importante a avaliação mor-fológica do canal vertebral e de suas modificações durante a aplicação de carga axial e de manobras dinâmicas. Os sintomas da estenose são freqüentemente desencadeados na extensão do quadril e da coluna, posição ortostática ou em atividades de caminhada. Caracteristicamente, estes pacientes têm menos sintomas quando estão em posição de flexão da coluna ou deitados em posição supina com o quadril em flexão. Estas alterações dos sintomas relacionados à posição têm levado diversos autores a pensar que a realização de exames na posição de maior sintomatologia pode dar mais informações diagnósticas do que nos exames com o psoas relaxado. A RM e a TC são, em sua grande maioria, realizadas com o paciente na posição supina, muitas vezes com o quadril e o joelho parcialmente fletidos, que aumentam o conforto do paciente, mas que relaxam o psoas e que diminuem bastante as tensões e a carga sobre a coluna. Quando a mielografia era o exame de escolha para a investigação de estenose do canal, a avaliação dinâmica era mais comum, realizando-se manobras dinâmicas na posição ortostática. Com o advento da TC e da RM, por permitirem estudo morfológico direto do disco, das partes ósteo-ligamentares e das estruturas nervosas de forma menos invasiva, diminuíram as solicitações de mielografia, perdendo-se a possibilidade do exame dinâmico da coluna vertebral. Willen et al., em diversos trabalhos, têm estudado os efeitos dinâmicos da aplicação de carga axial sobre o canal vertebral, tanto em pacientes sintomáticos quanto na população normal (1-3) , por meio de um instrumento constituído por um colete no ombro fixado em um apoio nos pés por meio de tiras, regulando-as para que seja aplicada uma força de 50% do peso corporal, quando o paciente estender os joelhos e os quadris (Figura 1).
doi:10.1590/s0482-50042005000500008 fatcat:274d2dukmjevnl4h5vwbmaw5gu