Un laberinto borgeano al estilo brasileño

Vera CECCARELLO
2018 Revista de estudios brasileños  
Santiago, S. (2016). Machado. São Paulo: Companhia das Letras. O crítico literário Silviano Santiago publicou o romance Machado (2016), em que relata o fim da vida de Machado de Assis através do mergulho nos últimos anos de sua correspondência. Tratase de um labirinto borgeano servido à moda brasileira: uma mistura de ficção, crítica literária, referências históricas e uma pitada generosa de erudição. O grande trunfo do romance parece ser justamente a presença dessas diversas linhagens
more » ... linhagens clássicas da intelectualidade brasileira. Se Borges havia condensado literatura, filosofia, e realismo mágico, nessa grande jangada de pedra tupiniquim que é o Brasil, os referenciais são outros. Passam pela literatura como instrumento de retomada social e descoberta do país; pelo pensamento social, assentado em uma história claudicante que oscila entre espasmos democráticos e oligarquismos seculares; pela crítica literária como braço analítico fundamental das ciências humanas no Brasil; além do ensaísmo enquanto catalisador da formação das letras nacionais. Todos esses elementos foram fundamentais para a investigação, descoberta e sublimação do país. Silviano, com exímia habilidade narrativa, conseguiu reunir todos em seu romance, cujo gênero aqui bem poderia ser grafado entre aspas, dada a especificidade de sua composição. O último tomo de correspondências de Machado de Assis, no qual se ancora Silviano Santiago, vai de 1905 a 1908 e serve de ponto de partida para a elaborada trama que gira em torno da decadência física de Machado em contraponto à reforma haussmaniana do Rio de Janeiro. A modernização da capital -antes do Império, agora da República -significou também a destruição dos grandes casarões imperiais, levando consigo parte importante da história da cidade. Parece ser uma metáfora da velhice, do luto, da dor e da solidão da viuvez. Tanto é que Machado aponta, em certo momento, que a morte é, na verdade, sinônimo de solidão. Em outro compilado de correspondências de Machado (Assis, 2003), no qual a maioria das cartas é entre o bruxo do Cosme Velho e Joaquim Nabuco, uma das derradeiras missivas é de Nabuco endereçada a Graça Aranha, quando da ocasião da morte de Machado. Ele pontua que a vida nas condições que Machado vivia devia ser cruel, mas que para a inteligência o fazer existir, compensaria todos os sofrimentos, e isto tanto mais quanto mais alta fosse essa inteligência. A eulogia de Nabuco revela a grandeza e o sofrimento de Machado de Assis nos últimos anos de sua vida.
doi:10.14201/reb201859193197 fatcat:jugkioyvpbhn7ml6h266o4ue4e