Vozes do Trauma Através das Culturas: O Tratamento de Estados Pós-Traumáticos em uma Perspectiva Global

B. Drosdek, E.B.P. Wiese
2007 Mudanças - Psicologia da Saúde  
O livro tem por objetivo apresentar um enquadre teórico e propor orientações para o tratamento intercultural de complexos estados pós-traumáticos e Desordens de Stress Pós-Traumático -DSPT, ilustrando com casos diversos de tratamentos realizados em diferentes partes do mundo. Foram combinados nesse livro os conhecimentos da psiquiatria, da antropologia e da psicologia clínica e social, em uma análise profunda de intervenções complexas realizadas em tratamentos culturalmente sensíveis de
more » ... ensíveis de psicopatologias associadas ao trauma e às DSPT. Foram levados em conta tanto os fatores intrapessoais como os interpessoais e sociais que modelam as experiências individuais de trauma, determinam as reações a eventos traumáticos e as estratégias de «coping» e influenciam o processo de cura. Essa publicação pretende ser uma fonte de consulta para profissionais de saúde mental quanto à avaliação, o diagnóstico e o tratamento de pacientes traumatizados de origens culturais variadas. No texto são descritos casos que mostram como um encontro intercultural autêntico e produtivo se estabelece gradualmente na terapia do trauma. A descrição desse encontro e a discussão dos conceitos de doença, psicopatologia, tratamento e cura, são os principais focos das apresentações dos casos, podendo-se, metaforicamente, representar o processo de tratamento do trauma como uma atividade gradual de descascar a cebola camada por camada, levando-se em conta as origens culturais tanto do cliente como do terapeuta. Esta metáfora também é válida quando se imagina que ao se descascar uma cebola as lágrimas nos vêm aos olhos. Neste sentido são também discutidos no livro os elementos de transferência e de contratransferência no tratamento do trauma, assim como a intervenção culturalmente sensível e a supervisão de profissionais que trabalham com pessoas traumatizadas. Principalmente nos últimos anos os problemas de saúde mental das vítimas de desastres naturais ou causados pelo ser humano, tornaram-se uma grave preocupação na maior parte do mundo. Muitas dessas vítimas foram traumatizadas em seus próprios países em situações de guerra ou de violência política e experimentaram a imigração forçada. Elas buscam proteção e abrigo em outros países, tendo sido confrontadas com culturas diferentes e frequentemente com normas, valores, línguas e religiões muito diversas das suas próprias. Nessa busca elas muitas vezes tiveram que enfrentar conflitos entre os seus modelos explicativos de doença e saúde e os modelos dos profissionais de saúde mental que as assistiam. Essas pessoas foram também confrontadas com modelos de tratamento que diferiam daqueles com os quais estavam acostumadas e que julgavam trariam benefícios para o seu bem-estar. Se, em sociedades multiculturais, as vítimas de eventos traumáticos enfrentam dilemas quando procuram ajuda, assim também aqueles que as ajudam, ou seja, os profissionais de saúde mental, também enfrentam dilemas, pois estes são ensinados a tratar os pacientes baseados em suas tradições e visões de mundo e estas são culturalmente dependentes. Os profissionais de organizações humanitárias e não-governamentais que trabalham em zonas de catástrofe em diversas partes do mundo, também enfrentam os mesmos problemas. Frequentemente eles trabalham em culturas diferentes da sua própria cultura e devem realizar o tratamento clínico combinando os seus conhecimentos * Drozdek, Boris; Wilson, John P. (Eds.) (2007).
doi:10.15603/2176-1019/mud.v15n1p95-98 fatcat:ndc6o3blgbazpplzvklwak55e4