Tratamento cirúrgico videolaparoscópico da doença do refluxo gastroesofagiano: técnica de Nissen modificada - resultados clínicos e funcionais

L. R. LOPES, N. A. BRANDALISE, N. A. ANDREOLLO, L. S. LEONARDI
2001 Revista da Associação Médica Brasileira  
INTRODUÇÃO Nos últimos anos, o surgimento da videocirurgia e da videolaparoscopia, como opção de acesso à cavidade abdominal sem a necessidade de grandes incisões, permitindo a realização da cirurgia com total reprodução do método consagrado na cirurgia aberta, constituiu-se no grande avanço da cirurgia nos anos que antecedem o novo século, alcançando grande sucesso entre cirurgiões, médicos e pacientes 1 . Trata-se de método seguro, com resul- RESUMO - A doença do refluxo gastroesofagiano é
more » ... stroesofagiano é muito freqüente na população e o tratamento cirúrgico é indicado em um número respeitável de pacientes. A escolha da via de acesso é a laparoscopia. Várias técnicas anti-refluxo podem ser empregadas e preferimos a técnica de Nissen modificada. OBJETIVO. Analisar os parâmetros clínicos e funcionais préoperatórios comparados com os mesmos parâmetros pós-operatórios com a técnica empregada. MÉTODOS. Um grupo de 59 pacientes foi submetido a tratamento cirúrgico pela técnica de Nissen modificada videolaparoscópica. O diagnóstico pré-operatório foi feito por exame radiográfico contrastado e endoscopia digestiva alta em todos os pacientes. A manometria do esôfago realizada em 35 e a cintilografia em 15. Esofagite complicada ocorreu em 54,2% sendo 21 pacientes (35,6%) com epitélio de Barrett. A técnica cirúrgica laparoscópica foi concluída em todos os pacientes. O tempo médio de cirurgia foi de 123,9 minutos. RESULTADOS. Não ocorreram complicações intra-operatórias. A alta se deu em média com 47,6 horas. Sintomas de disfagia, dor, epigastralgia, regurgitação e flatulência até o 30° dia ocorreram em 48,1% dos pacientes. Ocorreu uma reoperação por recurrência da doença e um óbito por necrose do fundo gástrico. O seguimento médio foi de 20,8 meses. Os exames pós-operatórios radiográficos, endoscópicos, manométricos e de cintilografia mostraram melhora significativa, bem como a avaliação clínica, que mostrou excelentes e bom resultados em 93,1% dos pacientes. CONCLUSÃO. A cirurgia de Nissen modificada videolaparoscópica corrigiu a doença do refluxo gastroesofagiano na maioria dos doentes acompanhados, associada à baixa morbimortalidade. UNITERMOS: Refluxo gastroesofagiano. Laparoscopia. Cirurgia. tados comparáveis aos da cirurgia aberta em muitos procedimentos, apresentando vantagens como diminuição da dor no pósoperatório, recuperação rápida, alta hospitalar precoce, reintegração às atividades diárias e ao trabalho em curto período de tempo e aspecto estético favorável, com mínima mudança no estilo de vida do paciente 2 . Em 1991 foram publicadas as primeiras séries da cirurgia de Nissen para o tratamento da doença do refluxo gastroesofagiano, com o auxílio da videolaparoscopia 3,4 . Dallemagne et al., (1991) 3 , relataram os resultados em 12 pacientes operados pela técnica de Nissen, com sucesso em nove e três conversões (25%), com 10% de mor-*Correspondência: *Correspondência: Prof. Dr. Luiz Roberto Lopes Rua Amélia M. de Paula Ventrini, 365 -Cep: 13086-040 Campinas -SP -lopes@obelix.unicamp.br bidade operatória. Os mesmos autores mostraram, dois anos depois, os resultados de 132 pacientes operados pela mesma técnica, sem mortalidade, 3,3% de conversão e morbidade de 7,5% 5 . Assim foi demonstrada a exeqüibilidade da técnica e outros trabalhos repetiram ou até melhoraram os resultados, atestando a segurança do procedimento 6 . É importante assinalar que o procedimento básico do tratamento cirúrgico da doença do refluxo gastroesofagiano não foi alterado, sendo reproduzida a mesma cirurgia convencionalmente aceita como a de escolha 6-9 , mantendo o pressuposto de que faz parte do desejo do cirurgião dispor de técnica eficiente, segura e pouco traumáti-
doi:10.1590/s0104-42302001000200033 pmid:11468682 fatcat:rtnsnvtqhrhrpmon2uk3qgdf5m