A Idealização de Roma e a sua aceitação pelos Cristãos (Conclusão)

Pedro Moacyr Campos
1952 Revista de História  
Conclusão) CAPITULO V • ROMA E OS AUTORES CRISTÃOS NO SÉCULO IV Visto o ponto principal do nosso trabalho, resta-nos examinar agora a atitude dos autores cristãos do século IV em relação à cidade de Roma, depois de encerrada oficialmente a luta entre o estado romano e o Cristianismo. É evidente que a nova situação, por si só, afastava quaisquer impedimentos que pudessem existir, obstando o louvor de Roma. O estado, fundado e organizado pela mesma cidade que merecera já os encômios dos autores
more » ... ômios dos autores cristãos em pleno período de conflito, acabara rendendo-se, e tal rendição era tanto mais significativa quanto se verificava numa épocaconfusa, em que todos os elementos tradicionais a que se havia antes recorrido para dar suporte moral ao Império haviam desaparecido, e em que o Cristianismo surgia como uma fôrça à qual se dirigia o estado com o objetivo de encontrar um novo apóio que lhe permitisse sobreviver (1). E desde então, era Roma que se entregava aos cristãos; e êstes tinham tanto maior liberdade para aceitá-la, depois que a ela fôra retirada a dignidade de capital do Império. De fato, como capital, a cidade estaria sempre ligada à imagem dos césares, e mesmo depois da decadência do culto imperial, não se poderia esquecer que, associada aos imperadores, Roma fõra uma divindade pagã, e é claro que isto dificultaria a sua completa aceitação pela mente cristã. Agora, com a fundação de Constantinopla, depois de já terem outros centros desempenhado o papel de capital, a cidade desligava-se da pessoa do imperador, passando a ser, principalmente, a sede da Igreja, a residência do chefe da Cristandade (2); assim, Roma do sangue dos mártires, a Roma = Barker. "El concepto de Imperio", in "Legado de Roma". pág. 101. É interessante notar-se que isto vem, pelo menos no momento, em favor de Orígenes, que defendera o Cristianismo contra Celso, mostrando ao mesmo tempo. como se enganara Aste ao considerar a nova religião um elemento destruidor do Império por pretender um sistema político caracterizado pela unidade, correspondente ao monoteísmo (cf. Peterson, "Der Monotheismus als politisches Problem", págs. 59 e ss.). -Cf. Gregorovius, "Storia della città di Roma nelMedio Evo", 1, pág. 10.
doi:10.11606/issn.2316-9141.v4i10p285-310 fatcat:eqdlyd32jze65mremxeyyllgfi