Estudo da densidade óssea na esclerodermia sistêmica

H.C. da Silva, V.L. Szejnfeld, L.S.S. Assis, E.I. Sato
1997 Revista da Associação Médica Brasileira  
INTRODUÇÃO O envolvimento ósseo, em pacientes com esclerodermia sistêmica, caracteriza-se, geralmente, por reabsorção óssea, predominantemente das extremidades das falanges distais dos dedos das mãos e, mais raramente, dos pés e outras partes do esqueleto 1-3 . Também, já foi descrito, em pacientes com esclerodermia, principalmente em mãos, osteopenia localizada periarticular, que, nos estágios mais tardios da doença, pode estender-se por todo o membro comprometido 4-6 . A observação inicial,
more » ... servação inicial, associando osteopenia generalizada à esclerodermia, foi feita por Serup et al. 5 , em 1983 . Esses autores, utilizando densitometria de emissão única, observaram redução do conteúdo mineral ósseo do terço distal do rádio em dez (29%) dos 37 pacientes (30 mulheres e sete homens) estudados. Verificaram, também, que a osteopenia foi mais freqüente nos pacientes que tinham calcinose, e que os parâmetros bioquímicos (cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, hormônio paratiroidiano [PTH] séricos e cálcio urinário) não foram diferentes dos obtidos no grupo-controle. La Montagna et al. 6 , em 1991, ao estudarem, com densitômetro de dupla emissão, a densidade óssea da região distal e proximal do antebraço de 90 mulheres com esclerodermia, observaram que todas as pacientes apresentavam diminuição significativa da densidade óssea, quando comparadas ao grupo-controle. Nenhuma das pacientes estudadas apresentava comprometimento renal e/ou síndrome de má-absorção e não estavam em uso de corticosteróides, porém, foram incluídas mulheres na pré e pós-menopausa. La Montagna et al. 6 , da mesma forma que Serup et al. 5 , também não encontraram quaisquer alterações nos parâmetros bioquímicos referentes ao metabolismo de cálcio e fósforo. Não observaram correlação significante da densidade óssea com o tempo de evolução, com a extensão do comprometimento dérmico, com a presença de calcinose, com a ocorrência de artrite e alterações viscerais. Entretanto, La Montagna et al. 6 verificaram que o grupo de pacientes estudadas apresentou maior incidência de menopausa precoce, e que aquelas que estavam na prémenopausa não apresentavam redução da massa óssea, quando comparadas ao grupo-controle. Os autores concluíram que a menopausa foi mais importante na diminuição da densidade óssea do que a esclerodermia propriamente dita. Embora, até o momento, apenas esses autores 5,6 tenham estudado a associação entre esclerodermia e osteoporose, alguns aspectos clínicos, fisiopatológicos e radiológicos, característicos da esclerodermia RESUMO -OBJETIVO. A osteopenia em pacientes com esclerodermia sistêmica foi descrita, radiologicamente, em mãos e, por densidade óssea, no terço proximal e distal do rádio. A redução da massa óssea, nesses pacientes, tem sido atribuída à isquemia, imobilização e à menopausa precoce. O objetivo deste estudo é analisar a densidade óssea na coluna, região proximal do fêmur e corpo todo de pacientes com esclerodermia sistêmica. PACIENTES E MÉTODO. Foram examinadas 25 pacientes caucasóides, sem outras condições que pudessem afetar o metabolismo ósseo. A média de idade das pacientes foi de 48 ± 12 anos, e o tempo de doença, de 7 ± 7 anos; 13 estavam na pós-menopausa há 8 ± 8 anos. A medida de massa óssea foi realizada na coluna, região proximal do fêmur e corpo todo, utilizando-se densitômetro de dupla emissão com fonte de raios X (Lunar -modelo DPX). RESULTADOS. Não houve diferença estatisticamente significante na densidade óssea das regiões avaliadas nas pacientes com esclerodermia sistêmica e as mulheres-controle pareadas para a idade, peso, altura e anos de menopausa. A densidade óssea das pacientes com forma limitada não foi diferente daquelas com a forma difusa. Pacientes com calcinose apresentaram menor densidade óssea na região proximal do fêmur que aquelas sem calcinose. CONCLUSÕES. Os autores concluíram que pacientes com esclerodermia sistêmica não apresentam perda de massa óssea. Portanto, a esclerodermia não é um fator de risco para o desenvolvimento de osteoporose generalizada. UNITERMOS. Densidade óssea. Osteoporose. Esclerodermia sistêmica.
doi:10.1590/s0104-42301997000100010 pmid:9224996 fatcat:2ooi4jiwfjeotkpv56xqj7o2ki