Cushing e prêmio ABE&M 2006

Sandra Roberta G. Ferreira
2007 Arquivos brasileiros de endocrinologia e metabologia  
A ATUAL EDIÇÃO DOS ABE&M pode e deve ser realmente contemplada pelos nossos leitores como um volume especial: "volume" pela dificuldade em comentar, em poucas linhas, uma quantidade enorme de conhecimentos e ainda congratular os vencedores dos Prêmios ABE&M 2006; e "especial" pela inclusão de tanta ciência de qualidade! O tema da síndrome de Cushing certamente influenciou a maioria dos endocrinologistas pela escolha da especialidade e mantém viva a admiração pelo fantástico sistema de
more » ... istema de retroalimentação. Na celebração do seu 75º aniversário quem ganha é o leitor que tem a oportunidade de se atualizar sobre o estado da arte da síndrome de Cushing, analisada sob múltiplos ângulos, desde o rastreamento, diagnóstico clínico, diagnósticos diferenciais, ferramentas de investigação funcional e anatômica e modalidades terapêuticas dentre outros, por experientes e renomados pesquisadores brasileiros e estrangeiros. O fascínio pelo entendimento do hipercortisolismo só tem crescido na atualidade e o interesse tem ganhado novo ânimo também em decorrência da relação do metabolismo do cortisol com a maior epidemia da humanidade que é a obesidade. Clínicos gerais e especialistas, ao voltarem sua atenção para os adipócitos acumulados na região abdominal, perceberam a necessidade de revisar aquelas enzimas que, por algum momento, se achou que eram relevantes apenas no âmbito de anormalidades de certas glândulas, como por exemplo, das adrenais. Vejam nesta edição a oportunidade de fazê-lo. Enfim, em nome do comitê editorial dos ABE&M, agradecemos os colaboradores por este conteúdo fantástico! Tive o privilégio de participar das diversas etapas da escolha dos vencedores dos Prêmios ABE&M, das áreas clínica (Prof. Waldemar Berardinelli) e básica (Prof. Thales Martins), Meirelles, a quem agradecemos profundamente pelo empenho em cumprir com esta tarefa -de tão grande responsabilidade -de escolher os vencedores. Reconhecemos que o nosso ABE&M cresceu, em quantidade e qualidade dos artigos publicados e, com isso, foi longo o tempo que a comissão dedicou a estas duas escolhas, que vale a pena reler. Nossos cumprimentos são dirigidos a Mônica S.F. Moura, Mônica B. de Melo, Carlos Alberto Longui, Mylene N. Rocha & Osmar Monte, autores do artigo classificado como da área clínica, intitulado "Triagem de mutações nos receptores de angiotensina II, AGTR 1 e AGTR 2 e avaliação dos polimorfismos C573T e A1166C do gene AGTR1 em pacientes com adrenarca precoce idiopática", publicado no volume 50/5:893-900, 2006. Na verdade, este artigo transita em ambos os campos e tal peculiaridade amplia o interesse pelo mesmo por uma gama maior de investigadores. Os autores foram felizes em escolher o objeto de estudo; conhecendo que a angiotensina II, além dos clássicos efeitos sobre a pressão arterial, exerce influência sobre a secreção de andrógenos e na sobrevida das células produtoras dos mesmos, questionaram se alterações no gene do receptor tipo 1 da angiotensina II (AGTR1) teriam papel na etiologia da adrenarca precoce idiopática, que, por sua vez, associa-se à síndrome metabólica. Não foram encontradas mutações nos genes estudados; polimorfismos observados no gene AGTR1 não mostraram correlação com a evolução clínica e laboratorial dos pacientes com adrenarca precoce. Também parabenizamos Tatiana S. Cunha, Ana Paula Tanno, Fernanda K. Marcondes, Sérgio E.A. Perez & Heloisa S. Selistre-Araújo pelo artigo da área básica "A administração de nandrolona não promove hipertrofia do músculo sóleo em ratos" (Arq Bras Endocrinol Metab 2006; 50/3:532-540). A literatura é controversa a respeito da relação entre esteróides anabólicos androgênicos e hipertrofia muscular, desejada por desportistas amadores e profissionais com o objetivo de melhora da performance atlética. A administração de decanoato de nandrolona não promoveu hipertrofia do músculo sóleo, nem mesmo quando associada ao treinamento físico resistido. Nem sempre os achados são "positivos" no sentido de confirmar uma hipótese, fato verificado em ambos os artigos. Os ABE&M e a comissão foram concordantes com a importância de se publicar também achados "negativos", minimizando certos vieses da literatura científica que tende a privilegiar artigos com resultados positivos. Os prêmios (diploma e montante em dinheiro) serão solenemente entregues na sessão de abertura do II Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia -CBAEM, em 21 de novembro de 2007, em Maceió, Alagoas. A Presidente do II CBAEM, Dra. Maria Magaly Albuquerque Medeiros, e sua equipe elaboraram um programa científico irretocável. Vale a pena conferir.
doi:10.1590/s0004-27302007000800001 pmid:18209853 fatcat:ptkkxddbh5fhndw6feoer65njy