Estudantes universitários brasileiros e internacionais: dos aspectos biológicos ao estilo de vida

Ana Gesselena da Silva Farias, Sádia Carine Cardoso de Pinho Brandão, Davide Carlos Joaquim, Francisco Cezanildo Silva Benedito, Nghalna Silva, Juliana Costa Rodrigues, Cosmo Helder Ferreira Silva, Ana Caroline Rocha de Melo Leite
2020 Brazilian Journal of Development  
RESUMO No contexto do estilo de vida, jovens que vivenciam o processo de transição entre o ensino médio e o superior tornam-se mais vulneráveis a mudanças, como consequência de seus questionamentos sobre valores, crenças e atitudes instituídos pela família. O estudo objetivou determinar e associar aspectos biológicos, demográficos e econômicos com o estilo de vida de estudantes brasileiros e internacionais recém-ingressos em uma universidade de cunho internacional. Trata-se de estudo
more » ... e estudo exploratório, descritivo e quantitativo, conduzido com estudantes brasileiros e internacionais iniciando o 1º semestre dos cursos de graduação. Após aplicação do Terno de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), foi preenchido um questionário, contendo perguntas relacionadas a aspectos biológicos, demográficos e econômicos e estilo de vida. Os dados obtidos foram devidamente analisados. Dos 131 universitários, 62,6% eram do sexo masculino, 77,1% eram brasileiros e 16,0% eram guineenses. Do total de participantes, 70,0% dos universitários internacionais e 43,6% dos brasileiros praticavam atividade física. Uma grande parcela dos estudantes internacionais jogava futebol e 29,5% dos estudantes brasileiros faziam musculação. A maioria dos pesquisados não fumava. Dos participantes, 63,4% dos universitários brasileiros e 50,0% dos internacionais não tinham esse hábito. Houve uma associação significativa entre ser universitário brasileiro maior de 18 anos e não praticar atividade. Conclui-se que a maior prevalência de estudantes brasileiros e guineenses, jovens e solteiros foi acompanhada por um estilo de vida adequado, especialmente entre os estudantes internacionais. Entretanto, entre os brasileiros maiores de 18 anos, a prática de atividade física foi insatisfatória. ABSTRACT In the context of the lifestyle, young people who experience the transition process between high school and higher education become more vulnerable to change as a consequence of their questions about values, beliefs and attitudes instituted by the family. The study aimed to determine and associate biological, demographic and economic aspects with the lifestyle of Brazilian and international students recently admitted to an international university. This is an exploratory, descriptive and quantitative study, conducted with Brazilian and international students, beginning the 1st semester of undergraduate courses. After application of the Free and Informed Consent (FIC), a questionnaire was filled out, containing questions related to biological, demographic and economic aspects and lifestyle. The data obtained were duly analyzed. Of the 131 university students, 62.6% were male, 77.1% were Brazilian and 16.0% were Guinean. Of the total number of participants, 70.0% of international students and 43.6% of Brazilians practiced physical activity. A large proportion of international students played soccer and 29.5% of Brazilian students did bodybuilding. Most of the respondents did not smoke. Of the participants, 63.4% of Brazilian university students and 50.0% of international students did not have this habit. There was a significant association between being a Brazilian university student over 18 years of age and not practicing activity. It is concluded that the higher prevalence of Brazilian and Guinean students, young and single was accompanied by an adequate lifestyle, especially among international students. However, among Brazilians over 18 years of age, the practice of physical activity was unsatisfactory. Considerado como assunto prioritário entre as políticas públicas atuais, especialmente no âmbito da saúde (MADEIRA et al., 2018), o estilo de vida é definido como um conjunto de hábitos e costumes que são influenciados, modificados, estimulados ou inibidos pelo processo de socialização. Dentre esses hábitos e costumes, sobressai-se o consumo de alimentos e produtos, como álcool, fumo, café ou chá, e prática de exercício (WHO, 2004). Entretanto, esse conceito tem sido alvo de críticas, já que, para alguns autores, aspectos sociais, incluindo o modelo econômico e cultural, globalização e homogeneidade dos comportamentos influenciam o estilo de vida (MADEIRA et al., 2018). Nesse contexto, comportamentos relacionados ao estilo de vida, como nutrição adequada, prática de atividade física, instituição de atitudes preventivas, presença de suporte social e controle do estresse, são tidos como fatores que interferem na saúde do indivíduo. Nesse âmbito, vale ressaltar que grande parte do estilo de vida do ser humano é estabelecida na adolescência e que fatores a ele associados podem ser incorporados na juventude, particularmente pelo jovem que vivencia o processo de transição entre o ensino médio e o superior, momento em que valores, crenças e atitudes instituídos pela família são questionados (SILVA et al., 2011; BRITO, GORDIA, QUADROS, 2016).
doi:10.34117/bjdv6n4-148 fatcat:j5fy6ofql5dkvhuwyhetce5o7q