CICLOESTRATIGRAFIA NA BACIA INTRACRATÔNICA DO AMAZONAS

PAULO ROBERTO DA CRUZ CUNHA
2005 Revista Brasileira de Geociências  
CYCLOSTRATIGRAPHY lN THE INTRACRATONIC AMAZONAS BASIN ln thiswork the concepts ofmodem Sequence Stratigraphy are tentatively applied to an interior cratonic basin, while trying to refine the Early to Middle Devonian chronostratigraphy of the Amazonas Basin by using the Cyclostratigraphy techniques. The author employed the following techniques to interpret the data and elaborate a coherent geologic model for the sedimentary section studied: (a) analysis and reconstructions of Devonian features
more » ... Devonian features interpreted from the comparison ofbiotic, ichnologic and lithologic data to extensive reference checking; (b) study of the tectonic and climatic conditions that affected Gondwana Supercontinent during the Early and Middle Devonian; (c) facies analysis and paleoenvironment interpretations based on core and cuttings descriptions, considering the fauna, ichnotypes, sediment texture and rock structures; (d) definition of sequence stratigraphic key-surfaces by using welllogs, especially the gamma-ray log; and (e) orbital and climatic Cyclostratigraphy studies in order to check the influence ofEarth's short orbital cycles on the sedimentary record by comparing the gamma-ray log spectra of the section studied to cycles of the Milankovitch frequency bando The integration ofthese analyses allowed the construction of a chronostratigraphic framework for Early to Middle Devonian strata ofthe westem portion ofAmazonas Basin, comprising unit hierarchy, definition ofdepositional system tracts, sequence boundaries and other key-surfaces and the duration of events. The main contributions of this work include the successful application of Sequence Stratigraphy concepts to a cratonic interior basin and the chronostratigraphic refinement obtained from orbital Cyclostratigraphy data analysis, which increases the accuracy ofage estimates in at least one measurement order (from 10 6 to 10 5 years). Resumo O trabalho foi desenvolvido com base em conceitos da modema Estratigrafia de Seqüências, buscando o refinamento cronoestratigráfico da seção rochosa do Devoniano Inferior e Médio da Bacia intracratônica do Amazonas, através da aplicação das técnicas da Cicloestratigrafia. O autor montou um modelo geológico coerente para a seção estudada baseado em reconstruções paleogeográficas do Devoniano, inferidas de diferentes metodologias, incluindo: (a) investigação do conteúdo paleontológico e litológico; (b) estudo da tectônica e eustasia; (c) análises faciológicas, baseadas em afloramentos e testemunhos dos poços perfurados pela Petrobras; (d) definição de superfícies-chave da Estratigrafia de Seqüências através do uso de perfis elétricos e radioativos desses poços, especialmente o de raios-gama; e sobretudo (e) estudo dos registros climáticos impressos nos sedimentos, interpretados através das análises espectrais dos ciclos de excentricidade curta da órbita terrestre associados aos ciclos da banda de freqüências de Milankovitch. A utilização da Cicloestratigrafia permitiu a construção de um arcabouço cronoestratigráfico para o Devoniano Inferior e Médio da porção ocidental da Bacia do Amazonas, analisando-se suas unidades estratigráficas dentro de uma hierarquia sistematizada através da definição de superfícies-chave, definição de limites de seqüências e definição de tratos de sistemas deposicionais. As principais contribuições do trabalho são demonstrar a aplicabilidade dos conceitos da modema Estratigrafia de Seqüências em bacias sedimentares intracratônicas e a possibilidade do refinamento cronoestratigráfico, valendo-se da Cicloestratigrafia que, nesse caso particular, permitiu melhorar a aferição temporal em pelo menos uma ordem de grandeza, passando-se de 10 6 anos, (1 Ma, da Paleontologia), para 10 5 anos (100 ka, dos ciclos de excentricidade curta da órbita terrestre). Palavras-chave: Cicloestratigrafia, análise espectral, ciclotema, Bacia do Amazonas, excentricidade curta, ciclos de Milankovitch. INTRODUÇÃO A Cicloestratigrafia usada no refinamento cronoestratigráfico da seção eo-a mesodevoniana da Bacia do Amazonas, na sua porção ocidental, serve para a comprovação da sua aplicabilidade no interior cratônico, tomando-se como base os ciclos de 4" e 5"ordens da modema Estratigrafia de Seqüências. A área estudada compreende a parte ocidental da bacia, representada na fig. 01 , estendendo-se desde a região de Manaus, no Estado do Amazonas, até as proximidades do Rio Tapajós, no Estado do Pará. A seção rochosa estudada, representada na fig. 02 , foi definida informalmente como "Seqüência Urupadi" por Cunha (2000) e corresponde ao Grupo Urupadi (de 3" ordem, composto pelas formações Maecuru e Ererê) e parte inferior do Grupo Curuá (Formação Barreirinha) que constituem parte da coluna estratigráfica da Bacia do Amazonas (Cunha et al., 1994) . Metodologia Procedeu-se o trabalho basicamente em duas fases: (a) o estudo da Estratigrafia de Seqüências, baseado nas análises das rochas, através de testemunhos, amostras de calha e perfis elétrico-radioativos de poços perfurados pela Petrobras, que permitiram a definição de marcos estratigráficos utilizados nas correlações regionais, nos estudos de afloramentos, nas análises faciológicas, paleoambientais e paleogeográficas compiladas de levantamento bibliográfico acerca do Supercontinente Gondwana no Devoniano, do estudo do aporte sedimentar, da tectônica e da eustasia atuantes nesse tempo na bacia; todos em conjunto permitiram ao autor definir uma hierarquização dessas unidades em seqüências de todas as ordens (I a V); (b) o estudo da Cicloestratigrafia, baseado principalmente na análise paleoclimática do Devoniano, na relação com os parâmetros orbitais terrestres definidos pelos ciclos de Milankovitch e nas análises espectrais de perfis elétrico-radioativos de poços perfurados na bacia, pela Petrobras. Esses dados, em conjunto com datações baseadas na palinologia e em invertebrados, permitiram a definição de um arcabouço cronoestratigráfico, refinado com o estudo da Cicloes-Petrobras -E&P Exploração e Produção UN da Bacia do Solimões, Rua Recife, 416 -Sala 205,69.057-001 -Manaus, AM, pcunha@petrobras.com.br Revista Brasileira de Geociências, volume 35, 2005
doi:10.25249/0375-7536.200535ete3546 fatcat:bzxtxwivejahfc7byml2yszwde