A produção científica: esforços docentes e discentes vividos e sentidos

Conselho Editorial
2018 Interações (Campo Grande)  
A produção cien fi ca é, no âmbito brasileiro e internacional, a forma mais efi caz de transmissão de conhecimentos, descobertas e teorias, com o obje vo de garan r o desenvolvimento de uma região/ país, quebrar paradigmas e melhorar a qualidade de vida. E é somente por meio da divulgação e popularização desse novo conhecimento que haverá uma contribuição no desenvolvimento humano e social. Desse modo, é observado assim o inegável papel da ciência para dar existência e materialidade a objetos e
more » ... alidade a objetos e teorias jamais u lizadas anteriormente e que hoje se encontram em nosso co diano. Na convivência com alguns colegas, seja no papel de editora, seja no de docente na academia há mais de vinte anos e a par r de pesquisas e trabalhos já publicados, temos nos deparado com uma situação paradoxal: de um lado, a visão de que indivíduos isolados não podem fazer ciência, e de outro, as condições para fazer parte de uma comunidade cien fi ca que exigem dos docentes e alunos um esforço permanente para a construção do conhecimento com a certeza de poder pertencer a uma comunidade cien fi ca. Mas, para que haja a devida comunicação e divulgação da ciência, é essencial que o pesquisador leve em consideração qual canal comunica vo deverá usar, não somente para garan r visibilidade ao seu trabalho, mas também para possibilitar que outros pesquisadores possam ter acesso a esse conhecimento. Assim, a função primordial da comunicação cien fi ca é dar con nuidade a esse conhecimento, difundindo-o a outros estudiosos que, a par r daí, poderão desenvolver pesquisas para validar ou contestar os resultados de inves gações anteriores ou ins tuir novos obje vos nas áreas de interesse (FUNARO, 2010). Nesse contexto, é relevante o papel da dedicação docente ao estudo, pesquisa, divulgação e orientação de trabalhos voltados à elaboração do texto cien fi co, em cursos de graduação e Pós-graduação lato sensu e stricto sensu, na orientação em iniciação cien fi ca, face às difi culdades percebidas nos alunos, no tocante à elaboração de produções textuais tanto rela vas às estruturas formais quanto às estruturas textuais, qualidades estas necessárias na academia. A divulgação cien fi ca, considerada um gênero par cular discursivo, é responsável por transpor um discurso específi co de uma esfera do campo cien fi co para a comunidade em geral, de acordo com Reis (1964, p. 23), "é por meio do texto de divulgação cien fi ca que a sociedade entra em contato com as pesquisas que estão sendo realizadas, dos experimentos em andamento". No entanto a grande problemá ca encontrada hoje no contexto brasileiro é que a maioria dos graduandos e pós-graduandos, sobre quem recai a maior exigência acerca da pesquisa cien fi ca e da produção textual, possui extrema difi culdade na leitura e produção cien fi co-acadêmica. Ou seja, não possui a habilidade de, diante de uma análise metodológica, elaborar a produção de um ar go, de apresentar um trabalho de conclusão de curso e de u lizar, de forma correta, as citações tão fundamentais na correlação dos diferentes autores, necessidade básica levando-se em conta o embasamento teórico. O domínio de uma leitura crí ca tem como consequência uma maior habilidade na produção escrita cien fi co-acadêmica e, nesse contexto, é clara a importância da relação entre leitura e produção de textos, pois o estudante que lê, sa sfatoriamente, consegue estabelecer relações dialógicas com textos de outros interlocutores(as) e seus próprios textos, aprimorando as condições de recepção e produção destes. Amplia essa questão Santos (2006, p. 82), para quem a importância de uma leitura crí ca é caminho para desenvolver as habilidades de produção textual, pois para a autor a efe vação do domínio da capacidade de leitura é a base central para a efe vação da aprendizagem, e ela enfa za esta questão quando afi rma que "O ato de ler e o de aprender são duas realidades muito próximas, portanto indissociáveis, interferindo-se mutuamente". Contudo, ao lado da já enfa zada necessidade da leitura crí ca em relação à temá ca em estudo, deve-se ter um bom domínio das estruturas textuais e formais: como elaborar um ar go cien fi co? Como publicar em uma revista cien fi ca com bom qualis? Como não plagiar? Todos esses ques onamentos, INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 19, n. 4, p. 697-698, out./dez. 2018 Este é um ar go publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Crea ve Commons A ribu on, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
doi:10.20435/inter.v19i4.2177 fatcat:6ts7z2f4zjbe5h4eolwsawrwmm