O rendimento literário de O caderno rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst

Raquel Cristina De Souza
2009 Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea  
Adentrar o terreno movediço da ficção contemporânea não é tarefa fácil, seja pela falta de distância temporal para ver a produção do período com olhos suficientemente críticos, seja pela pluralidade dessas produções, tão diversas temática e estruturalmente entre si que demandam certa cautela no tatear em busca de conceitos que possam dar conta de sua complexidade. O caminho aqui seguido é o da relação entre produção literária e mercado, sugerido pela própria obra analisada, O caderno rosa de
more » ... caderno rosa de Lori Lamby (1990), de Hilda Hilst, na qual a questão é ficcionalizada -e problematizada. É claro que não há nada de surpreendente na comercialização da arte. Já no início do século XVIII havia grande alarma em relação à submissão da literatura às leis econômicas do laissez-faire (Watt: 1965) . A novidade está no fato de estas se assumirem abertamente como bens de consumo, mudando a lógica da produção cultural, que agora se organiza de acordo com os ditames do mercado. O autor, tendo se profissionalizado, passa a produtor de mercadoria; os leitores, de receptores da obra de arte, se tornam simples consumidores de uma commodity. A cadeia produção-circulaçãoconsumo se completa com a presença do editor, que representa os interesses da empresa e consequentemente é o responsável, * Mestre em Literatura Brasileira (UFRJ).
doi:10.35520/flbc.2009.v1n1a17256 fatcat:qeghugxt3nagxfoy4c6abyqhuq