Segurança do Paciente: algumas reflexões

Janete De Souza Urbanetto, Tânia Solange Bosi de Souza Magnago
2014 Revista de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria  
No cenário em saúde, na última década, várias estratégias envolvendo o cuidado seguro foram planejadas e implementadas mundialmente. Experiências exitosas são divulgadas frequentemente, demonstrando um comprometimento e uma inquietação por parte de instituições de assistência e de ensino, de gestores e de profissionais da saúde. No Brasil, iniciativas de algumas instituições e de movimentos em rede, a exemplo da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP), contribuíram
more » ... ), contribuíram para impulsionar discussões locais, estaduais e nacionais, no âmbito público e privado, que culminaram numa proposta governamental, em 2013, com a criação do Programa Nacional de Segurança do Paciente 1 e seus protocolos 2,3 . No entanto, a cultura de segurança do paciente, em sua amplitude e complexidade, exige acompanhamento e aprendizagem cotidianos, o que, por sua vez, ultrapassa a existência de diretrizes e protocolos, pois esses, por si sós, não garantem a assistência segura. Estudo 4 realizado por pesquisadores da University of Oxford e pelo Imperial Centre for Patient Safety & Service Quality propõe a aplicação de cinco dimensões/questões fundamentais para mensuração e monitoramento da segurança do paciente: 1 -Dano ocorrido (O cuidado do paciente no passado foi seguro?): consiste na avaliação dos danos físicos e psicológicos ocorridos com os pacientes no passado. 2 -Confiabilidade (Os sistemas e processos clínicos são confiáveis?): consiste na avaliação da confiabilidade dos sistemas e processos clínicos para a segurança do paciente e o grau de adesão dos profissionais a estes. 3 -Sensibilidade às operações (O cuidado é seguro hoje?): consiste na capacidade para monitorar a segurança do paciente em tempo real (hoje, agora). Centra-se na ideia de que monitoramentos precisam ocorrer todo o tempo, pois a segurança de ontem não garante a segurança do hoje. 4 -Antecipação e preparação (O cuidado será seguro no futuro?): consiste na análise contínua do cenário e ação proativa na busca de riscos potenciais que possam comprometer a segurança do paciente. Centra-se no uso de indicadores e taxas que identifiquem precocemente as ameaças relacionadas à cultura de segurança, ao dimensionamento e capacitação dos profissionais. 5 -Integração e aprendizagem (Estamos respondendo e melhorando?): consiste na utilização de dados ou informações (incidentes relatados, indicadores de segurança do paciente, reclamações, auditorias, dados de rotina, observações, conversas informais com 1 Enfermeira. Doutora em Ciências da Saúde. Professora Adjunta do Curso de Enfermagem da PUCRS. Integrante do Grupo Coordenador da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP). Porto Alegre, RS, Brasil.
doi:10.5902/2179769216202 fatcat:7jyquiygqfavjmnrvp6w3q6i6e