JÓ 42,5: DEUS DEIXA-SE EXPERIMENTAR

LEONARDO AGOSTINI FERNANDES
2013 ATUALIDADE TEOLÓGICA  
Resumo Uma nostalgia sintomática e uma vaga sensação de vazio, apesar de tantas aquisições materiais que promovem bem-estar, relativizam a felicidade autêntica e duradoura, ou a sua real possibilidade, gerando, em muitas pessoas, uma postura fatalista ou uma fuga das próprias e alheias responsabilidades. Diante disso, a presença e a ação de Deus, no mundo e na vida dos homens, continuam um incômodo mistério. Jó 42,5, devidamente contextualizado, pode oferecer um ponto de inflexão para os que se
more » ... exão para os que se afundam em um niilismo de crenças e se afastam dos valores sagrados, julgando que a fé e a religião são coisas ultrapassadas e que servem, somente, para suprir as necessidades dos poucos esclarecidos. Palavras-chave: Antigo Testamento, Experiência de Deus, Jó, Religiosidade. Abstract Despite so many material acquisitions that seems to promote wellness, a symptomatic nostalgia and a vague sense of emptiness turn into relativism the true and lasting happiness, or the real possibility of it, creating a fatalistic attitude in many people or an escape from themselves and their responsibilities for others. Therefore, the presence and action of God, in the world and the lives 10.17771/PUCRio.ATeo.21668 Atualidade Teológica Ano XVI nº 41, maio a agosto/2012 337 of men, remain a troublesome mystery. Job 42,5, when properly contextualized, can provide a turning point for those who sink into nihilism of beliefs and deviate from the sacred values, stating that faith and religion are outdated and things that serve only to meet the needs of few enlightened ones. Introdução O Livro de Jó é um dos mais conhecidos e mencionados, por crentes e por não crentes, quando a matéria discutida é o sofrimento humano. Não é, porém, o único livro do seu gênero na Bíblia e no Antigo Oriente Próximo 1 . O Livro de Jó é rico de conteúdos e, ao mesmo tempo, complexo 2 . É rico, pela forma didática e polêmica com que trata e enfrenta a questão do sofrimento. É complexo, pelas suas diferentes formas literárias. O início e o fim estão escritos em prosa, mas o corpo do livro está, praticamente, todo em poesia, com exceção de Jó 32,1-6a que serve para introduzir os discursos do jovem Eliú (cf. Jó 32,6b-37,24). O Livro de Jó não ocupa o mesmo lugar nos cânones bíblicos. Na Bíblia hebraica (BH) encontra-se entre os Ketubîm (Escritos), é precedido pelo Livro dos Salmos, que abre a série, seguido do Livro dos Provérbios. Na Bíblia grega (LXX) e na Vulgata (Vg), o Livro de Jó abre a série dos livros sapienciais. O texto em hebraico está mais bem conservado do que o texto em grego, que, em muitos casos, é mais breve, possui lacunas, acréscimos (cf. Jó 2,9; 42,17) e recorre a paráfrases, ao invés de uma real tradução. Sobre isso, pode-se pensar que o Livro em hebraico ainda não havia atingido a sua forma final e canônica 3 na época em que foi traduzido para o grego. A
doi:10.17771/pucrio.ateo.21668 fatcat:yg37jlo5zbb5vcfxnt7e2aqvq4