MAL-ESTAR E SOCIEDADE: A DROGADIÇÃO EM QUESTÃO / MALAISE AND SOCIETY: THE DRUG ADDICTION IN QUESTION

Daniele Evelin Viana Pinheiro, Jéssica Samantha Lira Da Costa, Julliana Morgado Rocha
2020 Brazilian Journal of Development  
RESUMO Quando se aborda a questão do mal-estar na cultura, um dos assuntos que estão sempre em voga é o problema das drogas e suas consequências para a sociedade. Dentre as costumeiras polêmicas, uma se apresenta como principal: legalizar ou não o consumo de entorpecentes? O que, porém, pouco parece vir sendo apresentado são discussões que enfatizem o papel do sujeito nesta cena. Foi a partir da constatação dessa deficiência em se olhar o sujeito adicto como protagonista que determinadas
more » ... determinadas questões começaram a surgir, mobilizando a presente pesquisa. Por exemplo: o que faz com que um sujeito se torne adicto e outro não? Nestes termos, nosso objetivo aqui aparece como o de compreender, a partir do referencial psicanalíticoparticularmente o freudiano -aspectos do uso de determinadas substâncias psicoativas como um recurso para lidar com o mal estar na civilização, assim como compreender um pouco melhor o mal-estar que a própria temática das drogas gera na sociedade em geral, fazendo com que não seja privilegiada ou debatida como deveria (isto é, para além de medidas redutoras/simplistas, como a internação ou afastamento do usuário de drogas do convívio social). Diante de tal quadro, realizamos um trabalho em um CAPS-AD com pacientes dependentes em álcool e outras drogas e assim percebemos uma espécie de relação intrínseca entre adicção e violência subjetiva, de modo que há um autoflagelamento do sujeito nesta relação. Examinamos que as substâncias tóxicas atuam como forma de afastar o sofrimento que o mal estar cultural provoca ao homem, de maneira que a satisfação libidinal que a droga provoca, afasta o sujeito e o coloca refugiado numa realidade própria. Palavras-chave: psicanálise; sociedade; mal-estar; drogas. Brazilian Journal of Development Braz. ABSTRACT When dealing with the issue of malaise in culture, one of the subjects that is always in vogue is the problem of drugs and their consequences for society. Among the usual controversies, one is the main one: to legalize or not the consumption of narcotics? What, however, seems to be little being presented are discussions that emphasize the subject's role in this scene. It was from the observation of this deficiency in looking at the addicted subject as the protagonist that certain questions began to arise, mobilizing the present research. For example: what makes one subject become an addict and another not? In these terms, our objective here appears as that of understanding, from the psychoanalytic referential -particularly the Freudian -aspects of the use of certain psychoactive substances as a resource to deal with the malaise in civilization, as well as understanding a little better the malaise that the drug issue itself generates in society in general, making it not privileged or debated as it should be (that is, beyond reductive/simplistic measures, such as hospitalization or removal of the drug user from social coexistence). Faced with such a situation, we carried out work in a CAPS-AD with alcohol and other drug dependent patients, and thus we perceived a kind of intrinsic relationship between addiction and subjective violence, so that there is a self-flagellation of the subject in this relationship. We examined that the toxic substances act as a way to put away the suffering that cultural malaise causes to man, so that the libidinal satisfaction that the drug provokes, pushes the subject away and places him as a refugee in his own reality.
doi:10.34117/bjdv6n11-183 fatcat:2yfvfmaof5buhdw7qcnywqjcye