Avanços na pesquisa e no desenvolvimento da aquicultura brasileira

Carlos Magno Campos da Rocha, Emiko Kawakami de Resende, Eric Arthur Bastos Routledge, Lícia Maria Lundstedt
2013 Pesquisa Agropecuária Brasileira  
O mercado global de alimentos tem experimentado expansão sem precedentes e mudança nos padrões alimentares, tornando-se mais homogêneo e globalizado. Em 2013, as previsões do consumo de pescados aproximam-se de 20 kg por habitante por ano, com produção estimada de mais de 160 milhões de toneladas (Food and Agriculture Organization of the United Nations, 2013). Além disso, a demanda por produtos à base de pescado deve aumentar nas próximas décadas, seja por razões socioeconômicas, de saúde ou
more » ... cas, de saúde ou religiosas. Essa tendência vem sendo observada e, atualmente, quase metade da produção de pescado já é originada da aquicultura. Assim, o aumento do consumo per capita de pescado será cada vez mais dependente da disponibilidade dos produtos da aquicultura e sua capacidade de adequação às exigências do mercado consumidor. O Brasil tem grande potencial para a aquicultura, pelas condições naturais, pelo clima favorável e pela sua matriz energética. Este potencial está relacionado à sua extensão costeira de mais de oito mil quilômetros, à sua zona econômica exclusiva (ZEE) de 3,5 milhões de km² e à sua dimensão territorial, que dispõe de, aproximadamente, 13% da água doce renovável do planeta. Em relação às águas continentais, fazem parte desse volume as áreas alagadas artificialmente pela construção de barragens, contidas em reservatórios de usinas hidrelétricas, bem como áreas particulares para produção em viveiros de terra escavados. Entre elas, destaca-se a possibilidade de utilização das águas da União, tanto as de reservatórios de hidrelétricas, como as de estuários para a instalação de parques aquícolas. O marco legal que autoriza a utilização das águas da União, para fins de aquicultura, foi estabelecido em até 1% da área ou à capacidade de suporte do rio/lago/ estuário (o menor dos dois critérios). Mas, mesmo com tantos atributos favoráveis, o Brasil ainda possui muitas condições para desenvolver seu potencial produtivo para a aquicultura. Fatos que normalmente são considerados extremamente positivos, tais como a dimensão continental do território brasileiro, a diversidade de biomas e a imensa biodiversidade, que abriga inúmeras espécies com potencial zootécnico, criam um cenário bastante complexo e podem pulverizar ações que, se não organizadas, podem comprometer ou atrasar o desenvolvimento da cadeia produtiva da aquicultura no país. Os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação são fundamentais para elevar o patamar tecnológico e favorecer a competitividade e a sustentabilidade da aquicultura brasileira. O pescado é a carne mais demandada mundialmente (Sidonio et al., 2012) e a de maior valor de mercado. Porém, no Brasil, seu consumo ainda é baixo, mesmo tendo aumentado nos últimos anos para 11,17 kg por habitante por ano (Brasil, 2013) , valor ainda abaixo do mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 12 kg por habitante por ano (Food and Agriculture Organization of the United Nations, 2012), mas 14,5% a mais do que em relação ao ano anterior (Brasil, 2010) . Embora o consumo nacional ainda seja baixo, a balança comercial nacional de pescado encontra-se em deficit desde 2006, tanto em valores monetários quanto em volume comercializado. Segundo dados estimados pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em 2011, a importação de pescado e subprodutos atingiu US$ 1.262.888.212 (349.529.158 kg), enquanto a exportação do produto nacional atingiu apenas US$ 271.193.147 (42.263.415 kg), o que representa deficit de aproximadamente US$ 991 milhões (307.265.743 kg) e elevação de 32,5%, em relação ao deficit computado em 2010, que era de aproximadamente US$ 748 milhões (Brasil, 2011) .
doi:10.1590/s0100-204x2013000800iii fatcat:7vjandy7xracrb6bpv7ul55xq4