A aventura como abertura afectiva do a-vir: uma abordagem fenomenológica

Irene Borges-Duarte
2020 Filosofia Unisinos  
RESUMO Este trabalho procura fazer uma fenomenologia do comportamento que chamamos "aventura" e da temporalidade que lhe é própria. Procura-se o que é característico da sua experiência original e da sua sedimentação numa atitude e forma vital, potencialmente trivializável. Nesse sentido, partimos do ensaio de Simmel (1910) sobre a aventura, antes de aprofundar a análise, em diálogo com Jankél évitch (1963), que põe esse fenómeno em relação com o do tédio e o da seriedade. Esta perspectiva,
more » ... a perspectiva, assim alcançada, é submetida à consideração fenomenológico-existencial heideggeriana, para tentar entender a abertura do mundo que ela apresenta, quer no seu sentido mais próprio, quer em acepções decadentes de tipo repetitivo, que buscam a realização de expectativas já sedimentadas. O horizonte desta pesquisa é ao mesmo tempo o do indivíduo, nos tempos de sua existência singular, e o da cultura, em que podem reconhecer-se épocas especialmente abertas à consideração de certos caminhos da aventura como formas de vida eminentes. Palavras-chave: aventura, forma de vida, existência, temporalidade. ABSTRACT This work seeks to make a phenomenology of the human behaviour called "adventure" as well as of its own temporality. We try to characterise the most original or initial experience of adventure and its sedimentation in an attitude and vital form, potentially trivializable. In this sense, we will start from Simmel's (1910) essay on adventure, before turning to Jankélévitch's (1963) analysis, which includes this phenomenon in its relation to boredom and seriousness. Finally, we let these results be considered under the phenomenological and existential analysis in the Heideggerian sense, in order to define the art of world-opening that adventure represents, not only in its most proper sense, but also in the decadent ones, of repetitive type by pursuing sedimented expectations. The research moves in the horizon of the individual and his singular existence, as well as in the cultural one, seeking to recognize epochs of particular value due to adventure as an eminent life form.
doi:10.4013/fsu.2020.212.09 fatcat:6mvrfw3eizha3lejzat5qgod3e