Cistometria: seu valor no diagnóstico de afecções neurológicas

José Antonio Levy
1958 Arquivos de Neuro-Psiquiatria  
Anatomia -A forma da bexiga é variável; o órgão vazio poderá ter a forma esférica no caso de estar contraído, ou apresentar-se achatado quando estiver relaxado; a bexiga cheia tem a forma de um ovóide. Distingue-se na bexiga uma porção maior e superior, o corpo, e uma porção menor e in-ferior, o colo. A região situada entre o orifício uretral e os dois orifícios ureterais constitui o trígono vesical. A musculatura da bexiga é constituída por dois músculos: o do trígono e o detrusor. Este
more » ... trusor. Este último, que constitui a quase totalidade da parede vesical, não é formado, como era admitido pelos antigos anatomistas, por três camadas individualizadas de fibras, sendo duas longitudinais (externa e interna) e uma circular intermediária; em verdade, o detrusor é uno e suas fibras se dispõem sob forma especial, iniciando-se e descendo pela camada longitudinal externa, tornando-se horizontais na camada média e novamente se dobrando para baixo para constituir a camada longitudinal interna. Essas fibras musculares, ao atingir a região do colo da bexiga, formam alças que circundam a parte inicial da uretra, de modo a constituir o que se convencionou chamar de esfíncter interno ou esfíncter liso da uretra ( fig. 1) . Inervação -A bexiga, como todas as vísceras, recebe fibras nervosas simpáticas e parassimpáticas. A inervação simpática está relacionada com a porção da bexiga que se desenvolve à custa dos duetos de Wolff, ou seja, o trígono vesical. As fibras simpáticas ( fig. 2 ) provêm dos últimos segmentos torácicos e primeiros lombares. As células que lhes dão origem estão localizadas no corno lateral da medula: seus axônios seguem o trajeto das raízes anteriores e, constituindo os ramos comunicantes brancos, dirigem-se para a cadeia ganglionar paravertebral; as fibras pós-ganglionares, originadas nos gânglios da cadeia simpática toracolombar e nos gânglios pré-vertebrais das regiões celíaca, renal e mesentérica, formam o plexo hipogástrico superior, também chamado nervo pré-sacro, o qual, pouco abaixo do promontório do sacro, dá origem aos nervos hipogástricos (plexo hipogástrico inferior), que se dirigem ao gânglio hipogástrico inferior (plexo pélvico), de onde, afinal, partem as fibras que vão inervar a bexiga ( fig. 2) . O componente parassimpático inerva toda a musculatura da bexiga que se origina da alantóide e da cloaca, isto é, o detrusor; provém esta inervagao c.o 2", 3* e 4* segmentos sacros da medula, estando as células que lhes
doi:10.1590/s0004-282x1958000200001 pmid:13560337 fatcat:4moxesx32ng2zdsu6cdqmv62ji