O Comércio de Escravos na Obra de Antônio de Oliveira de Cadornega

Gibitá Faustino
1990 Estudos Ibero Americanos  
Entre os séculos XVI e XVIII, o expansionismo colonial e comercial português desenvolveu-se sobretudo através da rota Brasil-África. A implantação da agricultura tropical foi a estratégia utilizada pelos portugueses para ocuparem e colonizarem os territórios luso-americanos. A colonização representou uma nova etapa no desenvolvimento da economia européia porque "se insere no processo de superação das barreiras que se antepuseram, no fim da Idade Média, ao desenvolvimento da economia mercantil,
more » ... conomia mercantil, e ao fortalecimento das camadas urbanas e burguesa".' Se as relações comerciais com outros continentes (Ásia e África) se efetuaram predominantemente na esfera da circulação de mercadorias, a colonização acrescentou o caráter produtivo, principalmente no continente americano. A criação do pacto colonial garantiu o monopólio comercial e a posse de terras para a metrópole. No século XVI, a produção de açúcar passou do Oriente para o Atlântico Oriental, graças aos portugueses, que a introduziram em Cabo Verde, São Tomé, Madeira, Açores, etc. A seguir, o Brasil passou a produzir açúcar e, a partir do século XVII, a agricultura açucareira entrou em decadência nas ilhas do Atlântico, devido ao dinamismo do açúcar brasileiro no mercado mundial.' Inicialmente, a utilização da mão-de-obra escrava para trabalhar nos engenhos foi ameríndia. Entretanto, o baixo estágio cultural em que se encontravam, associado à rápida redução do contingente (maus tratos e doenças) fizeram com que, a partir do início do século XVII, a mão-de-obra negra se tomasse hegemônica.'
doi:10.15448/1980-864x.1990.1-2.36322 fatcat:tk6gqa5edfduhbaymmm6waubou