RACISMO INSTITUCIONAL E INFORMAÇÃO EM SAÚDE

Andréia Beatriz Silva dos Santos, Thereza Christina Bahia Coelho, Edna Maria de Araújo
1970 Revista Baiana Saúde Pública  
Distorções nos dados registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), que resultam no "embranquecimento" da população e dificultam o conhecimento sobre as desigualdades em saúde, têm sido pouco estudadas no Brasil. O objetivo deste artigo é analisar o processo de identificação da raça/cor da pele de indivíduos submetidos à necropsia no Instituto Médico Legal de Salvador, Bahia, no ano 2007, enquanto prática instituída de racismo. Trata-se de estudo do tipo descritivo analítico,
more » ... itivo analítico, qualitativo, cujas evidências foram obtidas por meio de entrevistas com Médicos Legistas, Auxiliares de Necropsia e Funcionários do Setor de Liberação de Cadáveres, observação e fontes documentais. Os resultados apontam que a prática do Racismo Institucional foi decorrente de negligência no registro raça-cor da pele, do Campo 17 daDeclaração de Óbito (DO). Argumentos como "subjetividade" do ato de definição desse atributo, constrangimento perante familiares ou falta de importância do dado foram utilizados como justificativas para a ocorrência de diferenças entre o Laudo de Necropsia e a DO. Conclui-se que se a estrutura organizacional não oferece meios adequados para que a identificação do morto expresse sua identidade, com relação ao pertencimento a certa categoria que lhe confere vulnerabilidade social, no caso a raça/cor da pele, isto se configura em racismo institucional.
doi:10.22278/2318-2660.2011.v35.n0.a158 fatcat:yj3drjx3kbhurj7tcbj2tyedta