A Geografia Física e o objeto complexo: algumas flexibilizações do processual

Rodrigo Dutra Gomes, Antonio Carlos Vitte
2010 Geosul  
O objeto complexo refere-se ao reconhecimento, enquanto princípio, ou paradigma, de que o objeto do conhecimento científico é uma entidade complexa, em ampliação à visão de objeto simples herdada da Renascença e Iluminismo. A Geografia sempre viveu a influência paradigmática moderna. Em prosseguimento ao século XIX, os avanços iniciais do século XX que corroboraram essa ampliação, como a Relatividade, Teoria Quântica e Teorias Sistêmicas etc, foram refletidas na Geografia pelos protagonistas da
more » ... os protagonistas da Revolução Quantitativo e Teorética, e na Geografia Física, por exemplo, pelas proposições de A. Strahler na Geomorfologia, ambos na década de 50. Os avanços de campos como os Sistemas Dinâmicos Não-Lineares e Física do Nãoequilíbrio, contextualizados nos sistemas dinâmicos complexos, trazem a corroboração da complexidade do objeto do conhecimento. Flexibiliza-se, numa realidade fundamentalmente 'processual', as referências duais do conhecimento que são vividas dicotomicamente. Pretende-se, de forma breve, apresentar este contexto e algumas influências na Geografia Física com realce para a Geomorfologia. Para este sub-campo, em expressão a uma tendência geral, reconhece-se a flexibilização e fluidez das entidades forma/processo e abordagens geohistóricas/funcionais-dinâmicas, em favor de uma perspectiva organizacional. Palavras Chaves: Geografia Física, objeto complexo, processual, perspectiva organizacional. INTRODUÇÃO O século XX apresentou-se como um período de transição, ainda inacabado, de uma visão científica estática e mecânica para uma processual e orgânica. A Teoria da Relatividade, a Física Quântica e as Teorias Sistêmicas do início do século, vieram, na esteira da eletrodinâmica e termodinâmica antes delas no XIX, corroborar a concepção de realidade como essencialmente processual. Como outras ciências, a Geografia viveu muita da influência do movimentado início do século XX nas reflexões e acontecimentos em torno da Revolução Quantitativo e Teorética da década de 50. Mas, por fundamentais, as heranças paradigmáticas mecanicistas de fundos renascentistas e iluministas, expressas em noções como equilíbrio, estabilidade, simplicidade, homogeneidade etc, que, genericamente contextualizaremos como 'objeto (do conhecimento) simples', ainda continuam influenciando as condutas teóricas e práticas de elaborações e manuseio dos modelos.
doi:10.5007/2177-5230.2010v26n50p8 fatcat:la5bbvqgtjf5vnhfy54hqjcufa