Câncer em idosos: a sobrevivência em foco

Angela Brustolin, Fátima Ferretti
2017 Revista FisiSenectus  
Estima-se que 85% dos idosos apresentem, pelo menos, uma doença crônica e, destes, pelo menos 10% com sobreposição de afecções concomitantes. A cronicidade de algumas enfermidades associadas ao quadro de longevidade dos brasileiros tem colocado em pauta a necessidade de se planejar mecanismos e ações para um cuidado diferenciado a essa parcela da população 1 , visto que o convívio com essa realidade, seja como profissionais da saúde, seja como familiares de idosos, torna-se mais frequente.
more » ... ais frequente. Conforme Soares, Santana e Muniz 2 , dentre as condições crônicas mais temidas nessa fase da vida está o câncer. Segundo, Góis e Veras 3 , na maioria dos casos, o câncer ocorre após os 60 anos. Essa maior incidência no idoso se deve ao fato de que cerca de 80% de todos os cânceres estão relacionados, direta ou indiretamente, ao tempo de exposição a agentes cancerígenos. Atualmente, o câncer é a segunda causa de morte no Brasil, logo após as doenças cardiovasculares. De acordo com as últimas estimativas, os tipos mais incidentes são o câncer de mama nas mulheres e o câncer de próstata nos homens 4 . Essa realidade carece de atenção, principalmente, ao considerarmos que os casos de câncer aumentam proporcionalmente com a idade. Nesse sentido, quanto mais a população envelhece, mais há tendência de crescimento desses números, o que produz impacto na vida das pessoas e no sistema de saúde, que precisa gerir as demandas oriundas desse quadro 5 . Por muito tempo, a cura do câncer pareceu improvável, porém, com a evolução científica, tecnológica e farmacológica, está sendo possível aumentar a expectativa de vida, juntamente com a remissão completa das neoplasias 6 . Atualmente, com uma detecção precoce do câncer e melhoria da eficácia dos tratamentos, a qualidade de vida durante o tratamento tem melhorado significativamente. Hoje, um número crescente de pessoas sobrevive a esta patologia e vive para além do câncer por longos anos 7 . O tratamento para o idoso também tem se modificado com a utilização de protocolos de quimioterapia específicos para pacientes com mais de 60 anos, com baixa toxicidade e uma melhor tolerância aos efeitos adversos. Estes novos fármacos garantem maior sobrevida e qualidade de vida aos sobreviventes ao câncer 8 . No entanto, somente a intervenção medicamentosa e tecnológica não é suficiente para um cuidado integral ao idoso. As pessoas que terminaram o tratamento e passaram pela fronteira de cinco anos após o tratamento e sem a recidiva do câncer passam por um processo de transição que implica inevitavelmente confrontar-se com as suas limitações e vulnerabilidades impostas pelas toxicidades do tratamento. é uma fase de redescobrimento de si mesmo e de novas formas de ressignificar o seu cotidiano 9 . A longevidade em termos biomédicos
doi:10.22298/rfs.2016.v4.n2.3805 fatcat:drmaifo2nncu3opq25gsat3gxq