Reflexões e práticas para um design gráfico sustentável

Eriberto De Almeida Oliveira
2013 Comunicação & Inovação  
Em seu livro Design gráfico sustentável 1 , o autor e designer norte-americano Brian Dougherty destacou a importância do designer como colaborador a favor da sustentabilidade. O texto é baseado na sua experiência e postura profissional no comando da Celery Design Collaborative, da qual Brian é um dos fundadores. Brian dividiu as atividades do design gráfico em três categorias: a primeira como manipulador de materiais, destacando a realização da pesquisa de vários tipos de materiais e a seleção
more » ... eriais e a seleção dos mais adequados à sustentabilidade; a segunda como criador de mensagens, considerando o designer mais do que um manipulador de materiais, na medida em que ele deve criar mensagens ecológicas que tenham força para conscientizar as pessoas de forma positiva; a terceira e última atividade do profissional caracteriza-o como agente de mudança, devendo promover transformações por meio de atitudes que influenciam todos os envolvidos. Estas atividades devem levar o poder do designer a buscar soluções sustentáveis, como direcionar o trabalho para que ele inclua considerações ecológicas e sociais. Brian concluiu, neste capítulo, que, para o profissional ser um bom designer, precisa tornar como norma o design sustentável, buscando um impacto positivo do ponto de vista ambiental e social. Para o autor, a natureza é finita e a nova postura do designer trará erros e acertos diante deste novo cenário, onde o desenvolvimento está baseado em valores, como a responsabilidade social, o descompasso ecológico e a popularização da sustentabilidade. Brian salientou que primeiro é preciso entender a sustentabilidade, explicando que a utilização correta dos recursos naturais, que dão suporte a todos, fará com que possam durar por um longo tempo. Ele exemplificou e mostrou em um mapa a interconexão da população e do estilo de vida no impacto ecológico coletivo. A obra apresenta o método útil para visualizar a sustentabilidade com o conceito de pegadas ecológicas, isto é, o resultado da produtividade média por hectare de terra e mar e a produtividade per capita da Terra. Dougherty afirmou que a relação custo/valor no design ecológico não implica apenas cortar despesas, e sim viabilizar soluções ecológicas através da inovação, para cada caso uma solução, e citou alguns exemplos, como a produção de uma mala direta ter uma lista limpa e bem direcionada com vistas a reduzir perdas. Foi apresentado um processo de criação chamado de "design às avessas", que comece pelo fim, imaginando 1 DOUGHERTY, Brian. Design gráfico sustentável. São Paulo: Rosari, 2011. 184p. Resenhas 84 Comunicação & Inovação, São Caetano do Sul, v. 14, n. 26:(84-85) jan-jun 2013 o melhor destino possível para um design. E foi ainda explicado cada passo, como perda (projetar para o destino), usuário (agregar valor pelo design), entrega (projetar para distribuição), armazenagem (considerar impressão sob demanda), encadernação (eliminar perda de corte) e impressão (projetar para impressão ecológica). Brian valorizou, na criação, os destinos possíveis dos materiais utilizados pelos designers. Além disso, destacou a tabela de sustentabilidade utilizada pelo Celery. Outro fator importante no processo de "design às avessas" é o momento em que o público interage com o trabalho do profissional (feedback), tendo como resultado a elevação das vendas e o aumento do valor agregado da marca, com isso ajudando a determinar o sucesso do cliente. Dougherty apresentou, ainda, alguns cases criados pelo Celery. Mais uma importante área foi destacada, referente à distribuição e embalagem: o autor afirmou que o ecodesigner precisa entender alguns princípios de transporte e embalagem para poder fazer projetos ecologicamente inovadores. Ademais, comentou os tipos de embalagens e as soluções sustentáveis. E a importância do design como forma de minimizar o espaço dentro da embalagem e do meio de transporte. Ele ressaltou que se deve planejar melhor a produção antes de ela começar e deu como exemplo o Guia da construção sustentável. Dougherty chamou a atenção para alguns detalhes técnicos, que devem ser claros
doi:10.13037/ci.vol14n26.2022 fatcat:bpx54wrx6jalrk4565a5vhuviy