O rio e a montanha: uma análise comparativa das fontes budistas em Sidarta de Hermann Hesse e Os vagabundos iluminados de Jack Kerouac

Jorge Gonçalves de Oliveira Júnior
2012 Primeiros Estudos  
Resumo: O presente artigo tem por objetivo comparar duas obras literárias, a saber: Os Vagabundos Iluminados de Jack Kerouac e Sidarta de Hermann Hesse, analisando a maneira como elas utilizaram as fontes budistas e como a tradução literária revela os usos ocidentais dessas mesmas fontes, e também a maneira como o conceito de indivíduo, em uma perspectiva mausseana, é tratado por elas. Palavras-Chave: Literatura Comparada, budismo, religião, individualismo, ocidente. A veces en las tardes una
more » ... en las tardes una cara nos mira desde el fondo de un espejo; el arte debe ser como ese espejo que nos revela nuestra propia cara. Jorge Luís Borges -Arte Poética Introdução Hermann Hesse, último baluarte do Romantismo, um narrador com alma de poeta e estilo elegante, e Jack Kerouac, verborrágico e moderno beatnik, de estilo espontâneo e mais focado no conteúdo que na forma. As diferenças entre os dois são um prato cheio para qualquer estudo de Literatura Comparada, muito mais pelos contrastes do que por qualquer semelhança. Porém, existe pelo menos um elemento capaz de aproximá-los: o interesse pelo Budismo -no caso de Kerouac, uma paixãoe a intenção de transmitir suas experiências e sensações com a religião oriental por meio da estrutura literária ficcional mais difundida no ocidente: o romance. Os estudos de Literatura Comparada, outrora um ramo da historiografia literária, apresentam-se modernamente como uma área multidisciplinar, interessada não apenas no fenômeno literário em si, mas em evocar diferentes campos das ciências I A primeira versão deste artigo foi apresentada como trabalho final à disciplina "Antropologia e Budismo" ministrada, no primeiro semestre de 2011, pela professora Ana Cristina Lopes Nina, a quem agradeço. Agradeço também aos pareceristas pelos comentários, considerações e indicações bibliográficas, e à Patricia Cristina Rodrigues pelas orientações técnicas. * Graduando em Ciências Sociais -USP. O rio e a montanha Primeiros Estudos, São Paulo, n. 3, p. 122-137, 2012 humanas a fim de aprofundar e enriquecer o procedimento analítico, conforme esclarece Carvalhal (1991, p. 11): comparar não é justapor ou sobrepor, mas é, sobretudo, investigar, indagar, formular questões que nos digam não somente sobre os elementos em jogo (o literário, o artístico), mas sobre o que os ampara (o cultural, por extensão, o social).
doi:10.11606/issn.2237-2423.v0i3p122-137 fatcat:rnubnzjzn5hzhidoftizprtvi4