Basílio da Gama e a Ilustração

Sergio Paulo Rouanet
2001 Revista USP  
F iz há tempos uma palestra (1) em que tentava rastrear a presença das idéias da Ilustração nos principais textos da época da Inconfidência. Utilizando a terminologia de Ferdinand de Saussure, busquei localizar essa presença em dois registros: o da língua e o da palavra. Chamei de língua a grade intelectual a partir da qual os homens do século XVIII viam e pensavam sua realidade. Era um conjunto de tropos, símiles, certezas não-problemáticas, evidências axiomáticas, sem o qual nenhuma palavra
more » ... l nenhuma palavra podia ser enunciada ou tornar-se inteligível. A língua funcionava como um código, que permitia estruturar mensagens específicas, ou como uma sintaxe, graças à qual se formavam os diferentes enunciados. A língua constava de pressupostos subjacentes e não questionados, com categorias descritivas extraídas do direito natural ou do empirismo, sobre um fundo normativo que incluía a perfectibilidade do homem, a onipotência da política, a esperança na educação, a fé na dignidade e na liberdade do homem. Palestra pronunciada em Tiradentes, no quadro do seminário "José Basílio da Gama, seu Tempo e sua Obra", promovido pelo Centro de Estudos do Século XVIII de Ouro Preto.
doi:10.11606/issn.2316-9036.v0i50p108-118 fatcat:zpwdgpktizcsnkdz6ch6m5jt74